A Internet Onde Máquinas Pagam Máquinas

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
A Internet Onde Máquinas Pagam Máquinas – Crédito: Divulgação Nos anos 1990, os criadores da web já previram que pagamentos poderiam fazer parte do próprio protocolo. O HTTP 402, “Payment Required”, foi reservado para indicar que um recurso exigiria pagamento antes do acesso. A função, porém, ficou sem implementação prática por décadas. Sem uma camada nativa de pagamentos, a economia digital se organizou em torno de anúncios, assinaturas, paywalls, cookies de rastreamento e intermediários financeiros. Hoje, uma compra online passa por cartões, adquirentes, processadoras e gateways. Esse fluxo funciona bem para pessoas preenchendo formulários, mas é pouco adequado a programas que precisam pagar outros programas automaticamente, em valores pequenos e em alta frequência. Na avaliação da On Digital, liderada por Lucas Iagla Turqueto, esse ponto ganha relevância com o avanço de sistemas multiagente. Para a empresa, acompanhar protocolos de pagamento autônomo será essencial à medida que agentes de IA passem a contratar dados, computação e serviços digitais sem intervenção humana a cada transação. O código 402 entra em uso A Coinbase lançou, em maio de 2025, o x402, um protocolo aberto que usa o código HTTP 402 para acionar pagamentos em stablecoin dentro de requisições HTTP comuns. Na prática, um servidor pode responder que determinado recurso exige pagamento; o cliente quita a cobrança e conclui a requisição. Grandes plataformas reforçam o x402 O interesse de grandes empresas explica por que o x402 ganhou visibilidade fora do nicho cripto. A Coinbase criou e mantém o protocolo. A Cloudflare, que opera a infraestrutura de mais de 20% da internet, cofundou a x402 Foundation e integrou o padrão ao seu Agent SDK. O Google incorporou o x402 ao Agentic Payments Protocol (AP2) e ao Agent2Agent (A2A), abrindo caminho para agentes de IA no ecossistema da companhia pagarem por serviços com stablecoins. A Stripe também passou a usar o x402, em fevereiro de 2026, para viabilizar pagamentos em USDC por agentes de IA. John Collison, cofundador da companhia, disse esperar uma forte expansão do comércio agêntico nos próximos meses e anos. A Internet Onde Máquinas Pagam Máquinas – Crédito: Divulgação. Impacto fora do setor de tecnologia “A economia máquina a máquina já aparece em casos reais de uso, além das projeções”, analisa Lucas Iagla Turqueto. A Hyperbolic, provedora de GPUs para IA, usa x402 para cobrar automaticamente por inferência computacional. Agentes pagam pelo processamento conforme consomem o serviço, sem contratos individuais nem faturamento manual. A CoinGecko aplica o protocolo à venda de dados de mercado, com cobrança por requisição. Em uma demonstração feita com a Lowe’s, Google e Coinbase apresentaram um agente capaz de recomendar produtos de reforma, montar um carrinho e pagar via stablecoin em uma conversa de chat. Os números estimados ajudam a dimensionar o mercado. A McKinsey calcula que o comércio conduzido por agentes de IA pode chegar a US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões no mundo até 2030. A Bain projeta que agentes possam responder por 15% a 25% do e-commerce nos Estados Unidos no mesmo período. Para a a16z, o desafio está na infraestrutura: redes de cartão e processadores tradicionais têm limitações para milhões de micropagamentos de centavos entre softwares. Um padrão para pagamentos nativos Segundo Lucas Iagla Turqueto, a falta de pagamentos nativos influenciou a forma como a internet comercial se estruturou: publicidade, assinaturas, paywalls e rastreamento passaram a ocupar o espaço que uma camada de pagamento direta poderia ter assumido. O x402 tenta preencher essa lacuna com um padrão aberto, agora apoiado por empresas com presença relevante em infraestrutura, nuvem e pagamentos digitais. Em 2026, a economia máquina a máquina deixa de ser apenas previsão e passa a ganhar implementação em serviços de dados, computação e comércio. Para empresas, desenvolvedores e investidores, o ponto central é entender como esses padrões podem mudar a cobrança por serviços digitais e a relação entre agentes de IA, provedores e usuários.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/especial-publicitario/on-digital/noticia/2026/05/27/a-internet-onde-maquinas-pagam-maquinas.ghtml


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