Acusado de matar a esposa e forjar o suicídio dela é condenado a 27 anos de prisão
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Homem que matou esposa e forjou o suicídio dela foi condenado
Reprodução e Reprodução/Redes Sociais
Emílio Carlos Alves Ramos, acusado de matar a esposa e forjar o suicídio dela em Santos, no litoral de São Paulo, foi condenado a 27 anos de prisão. A defesa entrou com recurso contra a decisão do tribunal do júri.
Camila Indame Ramos, de 39 anos, foi encontrada morta no apartamento do casal, em abril de 2022. Na época, Emílio alegou ter encontrado o corpo e afirmou que a esposa enfrentava um quadro depressivo.
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O caso chegou a ser registrado como suicídio, mas a investigação mudou a natureza da ocorrência para homicídio com três qualificadoras: feminicídio, asfixia e violência doméstica, além de fraude processual.
O julgamento de Emílio foi adiado por pelo menos três vezes devido à ausência de uma testemunha de defesa, e finalmente ocorreu nesta quarta-feira (13), mais de quatro anos após o crime.
Emílio Carlos é acusado de matar Camila Indame no apartamento onde eles viviam em Santos (SP)
Brenda Bento/g1 e Reprodução/Redes sociais
Conforme apurado pelo g1, ele foi condenado pela maioria dos votos a 27 anos de prisão em regime fechado: 25 por homicídio qualificado e dois por fraude processual.
Ao g1, o advogado Eugênio Malavasi, que defende o réu, informou que recorreu da sentença, pois a decisão “contrariou totalmente a evidência dos autos”.
“O resultado não condiz com a realidade processual e probatória, razão pela qual a defesa já interpôs recurso de apelação. Para que o tribunal analise efetivamente se os jurados agiram de forma manifestamente contrária à prova dos autos ou não”, disse Malavasi.
Irmão comemora resposta da Justiça
O irmão da vítima, Felipe Indame, celebrou a sentença. “A alma da minha irmã, a consciência, a história, a reputação da minha irmã, foi reposta”, afirmou, reforçando que Camila nunca teve a intenção de tirar a própria vida. “Parecia até um circo por parte da defesa".
Segundo Felipe, foram anos difíceis de luta por Justiça, mas a sentença trouxe alívio para a família. “É claro que esse buraco, esse espaço, nunca vai ser preenchido. A minha irmã nunca mais vai voltar, mas fica claro que a mentira cai. Só que infelizmente, a gente tem que lutar para que a mentira caía muitas vezes”, afirmou.
Para ele, Emílio contou com ajuda de outra pessoa para inventar a versão de que Camila havia tirado a própria vida. “Foi o assassino, mas teve uma pessoa que ajudou ele a criar essa história de suicídio”, disse.
Relembre o caso
Segundo o boletim de ocorrência, Camila foi encontrada na sala do apartamento com um pano enrolado no pescoço. A morte foi constatada pelo Samu, acionado ao imóvel onde ela morava com o marido na Avenida Ana Costa, no bairro Vila Mathias.
Camila Indame Ramos, de 39 anos, foi dada como morta por suicídio em abril do ano passado em Santos, SP
Reprodução/Redes Sociais
Emílio relatou à polícia que saiu para trabalhar e trocou mensagens com a esposa, mas, por conta da rotina, não conseguiu acompanhar o celular. Ao fim do expediente, notou que ela não havia respondido.
Ao chegar em casa, encontrou o corpo caído de bruços com o pano no pescoço. O homem disse que tentou retirá-lo e realizou manobras cardíacas, sem sucesso. Ele informou ainda que a mulher enfrentava depressão e fazia uso de zolpidem.
À época, o delegado Marcelo Gonçalves afirmou que os laudos indicaram marcas no corpo da vítima causadas em três datas: 6, 15 e 16 de abril de 2022. A última de quando ela foi encontrada morta. Segundo ele, a versão do marido não se sustentava.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima estava sob efeito de álcool e zolpidem, medicamento que induz o sono. Gonçalves relatou que, durante o interrogatório, o homem admitiu que a esposa ficava “grogue” sob o efeito da substância. O delegado questionou como alguém nessa condição teria força para causar tantas lesões e ainda cometer suicídio, mas não obteve resposta.
O perito responsável pela ocorrência também não encontrou nenhum objeto compatível com as lesões.
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