Água de todas as bicas de Piracicaba é imprópria para consumo, diz Semae; especialista aponta riscos à saúde
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Piracicaba tem 7 bicas com água imprópria para consumo, aponta análise
Testes feitos nas sete bicas de Piracicaba (SP) comprovaram que a água que saía das fontes era imprópria para o consumo humano ou animal. De acordo com o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), há um risco à saúde para quem ingerir essa água.
Mesmo com o alerta, os moradores seguem consumindo a água das bicas. De acordo com o médico infectologista Tufi Chalita, a pessoa que consumir esta água estará se expondo a parasitas e pode ter micoses e diarreias, além de comorbidades virais e bacterianas.
"Os riscos são múltiplos, não só a questão da higiene, ou seja, eu estou tomando uma água em que tem restos de fezes naquele lugar. Então, é sujo. Normalmente a pessoa está buscando aquela água, achando que aquilo é uma água mineral, e é, mas infelizmente ela está contaminada, ela está proibida para uso humano", explicou o profissional.
Segundo o Semae, mesmo com a água contaminada, as bicas não serão fechadas devido a questões ambientais, porque a autarquia não pode alterar o curso d'água.
Todos estão proibidos
Água de bicas em Piracicaba é imprópria para consumo, alerta Semae; especialista aponta riscos à saúde
Edjan Del Santo/EPTV
Em outubro, já havia a confirmação que cinco bicas públicas monitoradas pelo Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de Piracicaba que estavam contaminadas por coliformes fecais — bactérias que indicam que a água não é própria para consumo humano.
Entretanto, segundo o Semae, foi constatado que as sete bicas da cidade tem água imprópria para o consumo.
De acordo com o biólogo Ivan Canale, do Semae, a água que sai dessas bicas não tem cloro e não passam por qualquer tratamento e, por isso, não deve ser consumida.
"Além da contaminação, elas não têm cloro. O cloro é a principal proteção da água para a saúde das pessoas. Então, a gente sempre recomenda o consumo de água tratada, clorada. A água da bica não tem cloro, por isso que as bactérias proliferam", explicou.
Moradores usam água imprópria
Água de bicas em Piracicaba é imprópria para consumo, alerta Semae; especialista aponta riscos à saúde
Edjan Del Santo/EPTV
Apesar do alerta, moradores buscam água nesses pontos para beber e cozinhar. Tatiane Leal, de 57 anos, bebe a água da bica que está no bairro Santa Olímpia desde que nasceu e nunca teve qualquer problema de saúde.
""A minha mãe só toma essa água. Inclusive, quando a gente vai à praia, ela leva o galão dessa água, porque ela não toma água de torneira", disse Tatiana.
O aposentado João Barreto mora bem em frente à bica do bairro Nhô Quim, na região da Vila Rezende, e afirma que muita gente tenta consumir essa água — inclusive ele.
"Vem bastante, viu? É. Bastante gente pega água aí. Faz tempo. Faz 45 anos que eu moro aqui,e toda vida eu peguei água [na bica]", disse.
Como a análise é feita?
Água de bicas em Piracicaba é imprópria para consumo, alerta Semae; especialista aponta riscos à saúde
Edjan Del Santo/EPTV
🔍 A EPTV, emissora afiliada da TV Globo, acompanhou de perto o processo de análise dessa água. Uma vez por mês, a equipe de análise do Semae vai às sete bicas da cidade para fazer a coleta com recipiente de cerca de 100 ml e o leva para análise.
Após coletada a água, as amostras vão para um laboratório do Semae. Os especialistas fazem a análise e levam a amostra para um equipamento semelhante a uma estufa, onde a água vai ser aquecida.
"Quando a amostra fica incolor, significa que há ausência tanto de coliformes totais quanto de E. coli [tipo de bactéria]. Caso a amostra apresente uma coloração amarelada, significa que temos coliformes totais na amostra. Se eu quiser diferenciar para saber se ela tem a E. coli, eu preciso colocar na luz UV. A fluorescência azul indica que temos bactérias coliformes totais E. coli", disse.
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