Chefe de quadrilha preso em SP criou manual para ensinar a imprimir armas em 3D e usava nome falso
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Chefe de quadrilha preso em SP criou manual de impressão de armas em 3D e usava nome falso
Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, é o engenheiro preso apontado como chefe de uma quadrilha investigada por fabricar armamentos com impressoras 3D nesta quinta-feira (12) em Rio das Pedras (SP), no interior de São Paulo.
Os investigadores descobriram que ele é engenheiro e usava um nome falso para publicar testes e orientações para montagens das armas.
Manual de fabricação 3D: o suspeito chegou a criar um manual de mais de 100 páginas para que qualquer pessoa com conhecimento em impressão 3D pudesse produzir armas não rastreáveis em poucas semanas, com materiais de fácil acesso e baixo custo, segundo a polícia.
Armas em impressoras 3D: operação prende chefe de esquema no interior de SP
A ação, que teve apoio da PM de Piracicaba (SP), integra a Operação Shadowgun da Polícia Federal no Rio de Janeiro, que cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados, mas o polo principal ocorreu em um barracão de Rio das Pedras.
O Coronel da Polícia Militar (PM) de Piracicaba (SP), Cleotheos Sabino de Souza Filho, afirmou que o armamento era vendido pela internet e chegou a ser oferecido para outros países.
“Quadrilha vendia armas até pela internet, eles desenvolveram um projeto de armas, faziam as impressões em 3D, em polímeros plástico. Sabemos que esse indivíduo chegou a oferecer o armamento a outros países. Esse tipo de arma tem uma limitação de disparo por sei feita com plástico. Mas, é funcional, pode matar pessoas”, esclareceu o coronel da PM.
Chefe de quadrilha que produzia armas feitas em impressora 3D é preso em Rio das Pedras
Na região, foram cumpridos quatro mandados. "Mas, acreditamos que tenham muito mais pessoas envolvidas no processo. Um homem e uma mulher foram presos, outros dois não foram localizados ainda. Estamos com diligência em Ribeirão Preto (SP) também", apontou o comandante da PM.
Um dos presos tinha registro de CAC, mas as armas apreendidas não estavam no acervo dele.
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Apreensões
Na cidade, os agentes também apreenderam em um galpão armas de diversos calibres, incluindo pistolas, revólveres, espingardas e rifles, além de coletes, capacetes, munições, rádios, celulares, computadores e equipamentos eletrônicos.
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Até a última atualização desta reportagem, além de Lucas, outros três homens haviam sido presos. Agentes saíram para cumprir 5 mandados de prisão em São Paulo e 36 de busca e apreensão. Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A Polícia Civil do Rio e Janeiro e o Ministério da Justiça e Segurança Pública também atuam nas investigações.
Segundo apuração da 32ª DP (Taquara) e do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ), o grupo produzia e comercializava principalmente carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D, além de divulgar projetos de “armas fantasmas” — que não possuem rastreabilidade.
Os denunciados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.
Algumas das armas produzidas em impressoras 3D
Reprodução
Onde os mandados são cumpridos
Bahia
Espírito Santo
Goiás
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Rio de Janeiro
Rio Grande do Sul
Roraima
Santa Catarina
São Paulo
No interior de São Paulo, os mandados são cumpridos em Rio das Pedras, Piracicaba, Saltinho (SP) e Tambaú (SP), na região central. Os endereços investigados nos 11 estados são ligados a produtores, vendedores e compradores do material ilegal.
Como funcionava o esquema
O principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática impressa em 3D. O projeto era divulgado com um manual técnico detalhado e com um “manifesto ideológico” defendendo o porte irrestrito de armas.
De acordo com a Polícia Civil, o chefe da organização é um engenheiro especializado em controle e automação. Com um nome falso, ele publicava nas redes sociais testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração e montagem das armas.
O homem ainda elaborou um manual com mais de 100 páginas detalhando o processo de fabricação, o que permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D produzissem o armamento com equipamentos de baixo custo e em casa.
As investigações apontam que o material circulava em redes sociais, em fóruns e na dark web. O grupo também utilizava criptomoedas para financiar as atividades.
Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios
Reprodução
Estrutura organizada
A força-tarefa identificou outros 3 integrantes do esquema. Cada um exercia uma função específica:
“suporte técnico” direto;
divulgação e articulação ideológica;
propaganda e identidade visual.
Para a polícia, a organização tinha divisão clara de tarefas e combinava conhecimentos em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação dos armamentos.
Armas apreendidas durante operação parte da Operação Shadowgun, que cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em 11 estados
Reprodução/EPTV
Vendas em 11 estados
A apuração identificou que o material foi negociado com 79 compradores entre 2021 e 2022.
Os clientes estão espalhados por 11 estados. Segundo a investigação, muitos possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros delitos graves.
A polícia investiga se o material abastecia o crime organizado, incluindo tráfico de drogas e milícias. Um dos compradores está preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munição.
No Rio de Janeiro, foram identificados 10 compradores, em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.
As diligências têm apoio das Polícias Civis de outros estados.
Operação mira esquema de venda de armas produzidas em impressoras 3D
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