(Foto: Reprodução) Território de Poá, quarta menor cidade do Brasil que fica na Grande SP
Reprodução / Google Maps
Com 17 quilômetros quadrados, Poá, na Grande São Paulo, é a quarta menor cidade do Brasil em extensão territorial. O município tem 764 ruas e avenidas distribuídas em 81 bairros.
📅Poá completa 77 anos nesta quinta-feira (26) e tem uma história muito maior que seu tamanho (confira abaixo).
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Mesmo com território reduzido, a cidade tem características de grandes centros urbanos, como alta ocupação e intenso fluxo de pessoas. O perfil de “cidade pequena” fica apenas no papel.
🔎 A palavra Poá é uma variação de “Piá”, do Tupi-Guarani. Segundo o professor e mestre em História Adilson Ribas Ramos, o termo significa "apartamento de caminhos" ou "bifurcação".
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De acordo com o professor, o nome está ligado à localização do município. Entre os séculos 19 e 20, Poá funcionava como ponto de passagem para cidades como Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Santa Isabel e Arujá.
Localizada a cerca de 5 quilômetros da capital paulista, Poá tem área menor que muitos bairros da Grande São Paulo. Para comparação, o distrito de César de Sousa, em Mogi das Cruzes, é 12 km² maior que todo o território da cidade — uma diferença de quase 70%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Poá tinha 103 mil habitantes no Censo de 2022.
Infográfico: Poá, quarta menor cidade do Brasil
g1 / Arte
Por que Poá é tão pequena?
Poá nem sempre teve esse tamanho. O território atual é resultado de mudanças administrativas ao longo dos anos.
Segundo Adilson Ribas Ramos, Poá chegou a ter cerca de 49 km² quando se emancipou de Mogi das Cruzes. Com o passar dos anos, parte do território foi desmembrada e incorporada a outros municípios.
Mapa de Poá e Ferraz de Vasconcelos
Reprodução / Google Maps
A principal perda de território foi para Ferraz de Vasconcelos quatro anos após Poá se tornar uma cidade, em outubro de 1953. Ferraz era um distrito poaense com 29 km².
O restante do território, segundo o historiador, foi perdido em desmembramentos que deram origem a áreas hoje pertencentes a Suzano.
Povoado da estação
Diferentemente de muitas cidades brasileiras, Poá se desenvolveu a partir de uma estação de trem, e não ao redor de uma igreja.
Em 1877, a Inspetoria Geral de Obras Públicas de São Paulo enviou ao presidente da província um pedido assinado por vereadores da então “Mogy das Cruzes”.
O documento pedia o fechamento da estação de Lageado, antiga Guaianazes, e a construção de uma nova estação no povoado chamado “Apoá”.
Segundo os parlamentares, a nova estação facilitaria o escoamento da produção de Arujá, Itaquaquecetuba e Santa Isabel, devido à proximidade.
A estação foi inaugurada 14 anos depois. Em 11 de abril de 1891, Poá passou a contar com o novo ponto ferroviário.
Primeira estação de trem de Poá, na Grande SP
Reprodução / Adilson Ribas Ramos
Com uma única plataforma, o local se tornou um ponto importante para o transporte de produtos de distritos de Mogi das Cruzes. Nos anos seguintes, a região começou a se desenvolver.
Em 1892, foi construída a primeira escola da cidade. No ano seguinte, uma professora veio de São Paulo para iniciar as aulas. Em 1899, começou a operar o trem urbano.
Em 1919, Poá foi elevada à condição de distrito de paz pela Lei nº 1.674, de 13 de dezembro, e se desvinculou de Itaquaquecetuba. Ferraz de Vasconcelos passou a ser subdistrito do município.
Os funerais de 19
Apesar de ter sido por muitos anos uma região de Mogi das Cruzes, o período de Poá como distrito foi curto.
Em 1947, jovens poaenses criaram o movimento “Jornada para o Bem de Poá”. O grupo defendia a emancipação do município e se organizou rapidamente.
“Em novembro de 1947 formou-se uma comissão executiva pró elevação de Poá a município, que contou com o apoio de vários deputados da época, como Paulo Alina, Joviano Alvim, Cunha Bueno, Porfírio da Paz, Castro de Carvalho, Mota Bicudo e outros” explica Adilson.
No ano seguinte o movimento conseguiu autorização para a realizar o plebiscito de emancipação. A votação aconteceu em 10 de outubro. Dos 1.583 eleitores, 1.401 compareceram.
Do total de votos:
1.370 foram favoráveis;
19 contrários;
oito nulos;
quatro brancos.
Com o resultado, Poá conquistou a emancipação. O jornal "A Voz de Poá" publicou uma crônica escrita por Potiguara Novazzi sobre o plebiscito intitulada “Os funerais de 19”.
Em 26 de março de 1949 foi realizada a primeira eleição municipal — data que marca o aniversário da cidade.
O Funeral foi também uma 'marche aux flambeaux' [marcha noturna com tochas]. Houve o 'flamboyer' [chama] intermitente dos foguetes e o metralhar das bombas de punhado de tiros afogando a multidão entusiasta (...). Uma resenha estatística poderia se levantar naquele dia, e com relativa facilidade erguer o índice da população de Poá: O operário, o funcionário público, o comerciário, o estudante, mulheres, crianças e anciãos; a massa, se deslocou estrugindo a rua, festejando a emancipação libertadora, subindo e descendo morros lamacentos atravessando o vale da cidadezinha de topografia irregular(...). O enterro dos dezenove foi uma autêntica apoteose”
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