Compra ilegal, transporte escondido e falsificação de notas: entenda como grupo criminoso usava marketplace do Mercado Livre, Shopee e Magalu para crimes

  • 09/04/2026
(Foto: Reprodução)
Operação desarticula grupo criminoso que vendia eletrônicos do Paraguai A venda ilegal de eletrônicos e outros produtos com notas fiscais falsas em marketplaces do Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza contava com um sistema estruturado de compra ilegal, transporte oculto e falsificação, segundo investigação da Polícia Federal e da Receita Federal. A operação que desmontou o grupo o criminoso aconteceu na quarta-feira (8), no Paraná e outros cinco estados. 🔍 Marketplace é uma plataforma de comércio online que reúne múltiplos vendedores e marcas em um único site ou aplicativo, funcionando como um "shopping virtual". Diferentemente de um e-commerce tradicional, a plataforma conecta compradores a diversos fornecedores, oferecendo alta visibilidade e infraestrutura para lojistas. As empresas que oferecem a plataforma não necessariamente validam os conteúdos que são vendidos pelos lojistas. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp De acordo com as autoridades, os suspeitos atuavam com divisão de funções e etapas bem definidas. Eram mais de 300 empresas de fachadas e 40 pessoas físicas ligadas ao esquema. Os produtos eram comprados no Paraguai, entravam no Brasil de forma irregular e eram vendidos online sem pagar impostos. A PF e a Receita afirmaram que os suspeitos vendiam celulares, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos de conexão de internet, aparelhos de ar-condicionado portáteis, perfumes e tintas para impressoras nas plataformas. A investigação aponta que o grupo movimentou milhões de reais entre 2020 e 2024 apenas no marketplace do Mercado Livre. Em nota, a empresa informou que está auxiliando as autoridades nas investigações. A Shopee disse que cumpre com todas as leis e colabora com a Receita Federal e demais autoridades para prevenir e combater práticas ilícitas. A Magazine Luiza disse que não foi notificada oficialmente, mas exige que seus vendedores emitam nota fiscal em todas as transações realizadas em sua plataforma e possui instrumentos de controle e revisão que garantem a conformidade das operações. Veja as notas na íntegra abaixo. 🔎 A importação e venda de produtos permitidos legalmente, mas sem o pagamento de impostos devidos, é considerada crime de descaminho. A pena vai de 1 a 4 anos de prisão. Operação mirou grupo que vendia produtos ilegais em plataformas digitais PF/ RF Leia também: Previsão do tempo: Ciclone extratropical deve provocar tempestades no Paraná Agricultor desaparecido: Trabalhador agrícola que desapareceu no PR foi visto pela última vez em hotel Alerta de chuva: Alerta de chuvas intensas atinge todo o Paraná nesta quarta (8) Como funcionava o esquema, segundo a investigação Grupo de trabalho era responsável por transportar as mercadorias do Paraguai ao Brasil PF/ RF Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia compra ilegal de produtos, transporte escondido, falsificação de documentos e venda ao público como se tudo fosse regular. A organização se dividia em núcleos chamados de "grupo de trabalho", formado por motoristas, batedores e olheiros. Havia também o "grupo de compras", responsável por cotações, pedidos e pagamentos no Paraguai; e o "grupo de vendas", que gerenciava as plataformas digitais, controlava as vendas e distribuía os lucros. Segundo a Polícia Federal, o esquema começava com o "grupo de compras", com pessoas que negociavam e adquiriam eletrônicos no Paraguai, onde os preços são mais baixos devido às taxas menores de imposto. Em seguida, entrava o "grupo de trabalho", no qual motoristas levavam as mercadorias de forma irregular para o Brasil, muitas vezes em comboio, com batedores e olheiros para tentar evitar fiscalização. Depois, os produtos recebiam a aparência de "legalizados", de forma falsa. A organização usava empresas de fachada e emitia notas fiscais falsas para fazer parecer que os itens tinham origem regular. A polícia também verificou que pelo menos 10 pessoas atuavam como "laranjas", cediam a identidade para que fossem abertas empresas e contas bancárias, para dificultar o rastreamento do dinheiro. Na etapa final, vinha o "grupo de vendas". Os próprios integrantes anunciavam os produtos em plataformas conhecidas, alcançando milhares de consumidores como se fossem vendedores comuns. O dinheiro obtido com as vendas passava por várias contas e empresas para "limpar" sua origem, prática conhecida como lavagem de dinheiro. Para reforçar a aparência de legalidade, alguns integrantes ainda atuavam nas redes sociais vendendo cursos de e-commerce e importação, como se fossem empreendedores legítimos. Grupo criminoso movimentava milhões de reais PF/ RF Operação Platinum Os mandados da operação foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Guaíra. Ao todo, a operação prendeu 20 pessoas suspeitas de atuar nesta organização criminosa e uma está foragira. Também foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão em seis estados brasileiros. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. No Paraná, as buscas ocorreram em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Céu Azul. Também houve cumprimento de mandados em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. A Operação, nomeada de Platinum, surgiu de investigações que começaram em agosto de 2022, após a apreensão de mercadorias transportadas de forma irregular em três veículos de passeio que circulavam em comboio. A operação mobilizou 52 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal, além de 102 policiais federais. O que dizem as empresas citadas Mercado Livre: O Mercado Livre informa que está em contato com a Polícia Federal para a apuração e apoio da operação realizada hoje (08/04). A empresa mantém colaboração ativa com os órgãos competentes, auxiliando investigações e contribuindo para a identificação de práticas irregulares e o reforço da segurança no ambiente digital. O Mercado Livre investe continuamente em tecnologia avançada, monitoramento proativo e equipes especializadas para a prevenção e remoção de conteúdos que violem suas políticas. A empresa mantém critérios claros para a comercialização de produtos e reafirma que todos os anúncios devem cumprir seus Termos e Condições de Uso. A maior parte das infrações é identificada de forma proativa pelos próprios sistemas de segurança e tecnologia da companhia e casos pontuais são tratados com agilidade, com a remoção dos anúncios e a aplicação de medidas aos responsáveis, que podem incluir suspensão ou banimento. Nesse contexto, a empresa atua em conjunto com autoridades, incluindo a remoção imediata de anúncios irregulares por elas reportados. Shopee: A Shopee cumpre com todas as leis e colabora de forma contínua com a Receita Federal e demais autoridades para prevenir e combater práticas ilícitas. Exigimos que todos os vendedores da plataforma cumpram com a nossa política de produtos proibidos, que expressa claramente a proibição da venda de itens falsificados. Para assegurar o cumprimento dessas regras, contamos com mecanismos de monitoramento, controles rígidos e canais de denúncias na plataforma. Quando há indícios ou confirmação de infrações, a empresa atua prontamente com investigação, remoção de conteúdo e aplicação de medidas como o banimento da loja em questão. Magazine Luiza: O Magalu informa que não foi oficialmente notificado. A companhia exige que seus sellers emitam nota fiscal em todas as transações realizadas em sua plataforma e possui instrumentos de controle e revisão que garantem a conformidade de suas operações: uma política rígida de seleção de parceiros, listas restritivas de produtos, ferramentas de monitoramento contínuo e mecanismos com os quais fornecedores e marcas podem retirar um anúncio do ar quando identificarem produtos ilegais ou similares aos seus. O Magalu reforça ainda que retira do ar os anúncios denunciados por inconformidade, após checagem e comprovação, e que atua fortemente junto ao movimento de combate à venda de produtos de origem irregular e/ou ilegal e foi uma das primeiras plataformas a adotar o Guia de Boas Práticas de Combate à Pirataria, criado em parceria com o CNCP/Senacon. A empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reforça seu compromisso com a legalidade e a segurança em sua plataforma. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2026/04/09/entenda-esquema-que-usava-plataformas-digitais.ghtml


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