Doceiras do interior de SP transformam momentos difíceis em histórias de reinvenção: 'A arte de adocicar a vida'

  • 06/06/2026
(Foto: Reprodução)
Doceiras do interior de SP transformam momentos difíceis em histórias de reinvenção Neste sábado (6), quando é celebrado o Dia Nacional da Doceira, histórias de dedicação, criatividade e empreendedorismo ajudam a mostrar como a confeitaria vai muito além do açúcar e das receitas. Em Presidente Prudente (SP), duas mulheres encontraram nos doces uma forma de superar dificuldades, construir negócios próprios e mudar de vida. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Embora tenham percorrido caminhos diferentes, as confeiteiras Chádia Priscila Cardoso Gonçalves, de 42 anos, e Janaina Aressa Ferreira Filizzola, de 39 anos, compartilham algo em comum: ambas transformaram a paixão pela cozinha em profissão e fonte de renda. Oportunidade essa que é recorrente na Capital do Oeste Paulista. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os ramos de "Fabricação de Produtos de Padaria e Confeitaria com Predominância de Produção Própria" e "Padaria e Confeitaria com Predominância de Revenda" mostram que estão em uma crescente constante nos últimos anos. Depois de permanecer abaixo de 40 aberturas anuais entre 2011 e 2018, o número de novos negócios saltou 108,57% em 2019. O recorde foi registrado em 2025, com 137 empresas abertas. Somente entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 54 novos empreendimentos no setor. Mercado de docerias crescem no últimos anos em Presidente Prudente Chádia Cardoso/Redes Sociais Referências femininas Natural de Ponta Porã (MS) e moradora de Presidente Prudente, Chádia cresceu cercada por referências femininas na cozinha. A avó, a mãe e a madrinha despertaram nela o gosto pela culinária ainda na infância. Os doces, porém, começaram a fazer parte da rotina muito cedo, quando ajudava uma vizinha vendendo pães de mel na escola. "Os doces sempre estiveram presentes na minha história. Essas mulheres me inspiraram aos desafios da cozinha e a surpreender o paladar dos que apreciavam a boa culinária”, relembrou. Os doces também apareceram cedo em sua trajetória. Ainda criança, ajudava uma vizinha vendendo pães de mel na escola e foi ali que teve os primeiros contatos com o chocolate. Na adolescência, aprendeu novas técnicas assistindo programas de televisão, principalmente os comandados por Ana Maria Braga. Mesmo desenvolvendo habilidades na cozinha, a confeitaria permaneceu durante muito tempo apenas como uma atividade paralela. LEIA TAMBÉM Comerciantes podem se inscrever para atuar na Marcha para Jesus e exibição de jogo do Brasil em Presidente Prudente; veja como participar São Charbel, Padre Pio e mais: conheça histórias por trás de santos que têm imagens gigantes às margens de rodovia no interior de SP Batata mais que dobra de preço em um ano e pesa no bolso dos consumidores na região de Presidente Prudente; veja alternativas indicadas pela Ceagesp Após burnout, Chádia deixou emprego formal e apostou nos doces finos em Presidente Prudente Chádia Cardoso/Redes Sociais Do trabalho formal aos doces finos Durante mais de 15 anos, Chádia conciliou o emprego formal com a produção de ovos de Páscoa e doces para amigos. Quando trabalhava em um hospital, por exemplo, passava o dia no local e dedicava as noites à produção das encomendas: “Muitas vezes trabalhei até 3h da manhã e ainda fui para o serviço CLT às 7h. Mas tudo valeu a pena", revela. O ponto de virada aconteceu durante a pandemia da Covid-19. Após enfrentar um quadro de burnout, ela decidiu que não queria retornar à rotina do trabalho formal. Sem saber exatamente qual caminho seguir, buscou respostas na fé. A resposta veio quando uma cliente perguntou se ela produzia doces para casamentos. Embora já fizesse esse tipo de trabalho informalmente, nunca havia enxergado a atividade como um negócio. "Coloquei em oração e pedi um caminho. Então fui estudar o mercado e vi que tinha potencial para colocar o meu produto. Minha família foi fundamental nesse apoio para o início, porque deixei a certeza do emprego fixo pela aventura do empreendedorismo na cozinha", contou. Após burnout, Chádia deixou emprego formal e apostou nos doces finos em Presidente Prudente Chádia Cardoso/Redes Sociais Atualmente, ela produz milhares de doces por semana para casamentos e eventos. A própria casa se transformou em espaço de trabalho, com equipamentos profissionais, climatização e estrutura adaptada para suportar a produção. Mas, ainda segundo ela, o segredo não está apenas nos equipamentos. Antes de cada evento, existe uma rotina rigorosa de seleção de ingredientes. Frutas frescas, chocolates de qualidade e atenção aos detalhes fazem parte do processo. “Quando a temperatura está elevada e o ar condicionado ainda não está ligado no salão, os doces permanecem no carro com ar condicionado. Isso é zelo e respeito pelo cliente, pois ele quer o doce delicioso porém lindo”, explicou. Criatividade como diferencial Além do cuidado com os ingredientes e da produção artesanal, Chádia também aposta na criatividade para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo. Entre os sabores mais diferentes desenvolvidos por ela estão o brigadeiro de pamonha, o brigadeiro de parmesão com damasco, o Moscow Mule em versão doce, bavaroises, verrines e outras releituras criadas conforme o perfil de cada cliente. "A criatividade é um requisito muito valioso nesse mercado, não basta copiar receitas é necessário ter personalidade para criar novas", explicou. Apesar das opções inusitadas, alguns sabores seguem entre os campeões de pedidos. O morango aparece praticamente todas as semanas nas encomendas, assim como o ouriço de coco queimado e o Moscow Mule, que se tornou um dos queridinhos dos clientes. Doces finos e esculturas comestíveis viram marca registrada da Chádia, doceira de Presidente Prudente Chádia Cardoso/Arquivo Pessoal Outro destaque do trabalho da confeiteira são as estruturas comestíveis montadas para eventos. Em vez de utilizar apenas suportes decorativos, ela produz verdadeiras esculturas gastronômicas feitas com doces. "Essas são as torres que faço de trufas e morangos. Esses são os campeões de pedidos, os clientes se encantam com a beleza e o sabor. São todos comestíveis", ressaltou. Por fim, com o sonho de um dia ter um ateliê próprio, ela segue produzindo na cozinha de casa, cercada pela rotina familiar que frequentemente aparece nos bastidores compartilhados nas redes sociais. As peças se transformaram em uma das marcas registradas da confeiteira, unindo apresentação visual e experiência gastronômica em um único elemento da decoração. Initial plugin text Da necessidade financeira ao próprio negócio Se uma história passa pela reinvenção profissional, a de Janaína começou em um momento de necessidade financeira. Em 2015, ela retornou de São Paulo para Presidente Prudente ao lado do marido e da filha. Os dois estavam desempregados e, para ajudar nas despesas da casa, ela passou a trabalhar como diarista. Quando chegou o aniversário da filha, a família não tinha condições de investir em uma festa elaborada. Com ajuda da irmã, Janaína conseguiu organizar uma comemoração simples e decidiu que faria o próprio bolo e os docinhos. Sem experiência profissional, recorreu à internet para aprender. "Eu nunca nem tinha feito um bolo de festa na vida... Com papel de arroz e decorado. Depois que eu postei essa foto no Facebook, algumas pessoas começaram a falar: 'Nossa, que bolo lindo!', 'Onde você comprou?', 'Quem que fez?', 'Passa o contato?'.", relatou. Janaína realizou um bolo para aniversário da filha pela primeira vez e deu início à trajetória na confeitaria Janaína Filizzola/Arquivo Pessoal Foi naquele momento que surgiu a ideia de transformar a habilidade em fonte de renda. A confeiteira começou produzindo bolos por encomenda e aproveitou uma tendência que ganhava força na época: os bolos de pote. Ela vendia de porta em porta, visitava lojas, oferecia produtos para conhecidos e construía a clientela aos poucos. Ao longo dos anos, ampliou o cardápio com brownies, cones recheados, tortas, copos da felicidade, doces para festas e diversos outros produtos. E mesmo sem formação técnica na área, continuou aprendendo por conta própria. “Eu falo que sou a confeiteira de teimosia, por tentar e arriscar. Vou elaborando meus bolos, meus doces, e a gente vai melhorando e se adequando às normas e às exigências dos clientes”, explicou. Festival de Fatias A pandemia também representou um período importante em sua trajetória. Com escolas fechadas e dificuldades no mercado de trabalho, ela intensificou a produção de doces e ampliou as vendas. Foi nesse período que consolidou a marca “Delícias da Jana” e passou a investir mais na divulgação do trabalho. Atualmente, um dos projetos que mais mobiliza a confeiteira é o festival de fatias, evento que permite aos clientes experimentarem diversos sabores de bolo sem precisar comprar uma unidade inteira. Janaína realiza festival de fatias e aposta em degustação para conquistar novos clientes Janaína Filizzola/Arquivo Pessoal A ideia surgiu justamente da percepção de que muitas pessoas têm curiosidade de conhecer os produtos, mas não conseguem adquirir um bolo completo apenas para provar. “O grande auge de tudo isso é o festival de fatia. E como eu trabalho com bolos de aniversário, nem todo mundo, às vezes, consegue comprar um bolo inteiro para poder comer ou só para provar. E o festival veio para dar essa oportunidade de provar o bolo”, explicou. Apesar dos desafios, Janaína afirma que continua encontrando na confeitaria algo que vai além do retorno financeiro. “Eu quando estou mexendo nos meus bolos, fazendo os meus recheios e os meus docinhos, parece que eu estou em outra dimensão. Para mim é uma terapia, eu fico só naquele mundo, eu não consigo pensar em outras coisas”, brincou a doceira. Com o sonho de um dia ter um ateliê próprio, ela segue produzindo na cozinha de casa, cercada pela rotina familiar que frequentemente aparece nos bastidores compartilhados nas redes sociais. Por fim, ela resume o significado da profissão de forma simples: “Ninguém é triste comendo um docinho ou uma fatia de bolo. A confeitaria é isso: proporcionar para as pessoas um momento de felicidade, é a arte de adocicar a vida dos outros”, finalizou Janaína. Sem cursos profissionalizantes, Janaína aprendeu a fazer receitas pela internet Janaína Filizzola/Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Luís Ricardo da Silva Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/06/06/doceiras-do-interior-de-sp-transformam-momentos-dificeis-em-historias-de-reinvencao-a-arte-de-adocicar-a-vida.ghtml


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