Fórum Observai debate crise climática, conservação e desconexão com a natureza
16/05/2026
(Foto: Reprodução) Fórum Observai debate crise climática, conservação e desconexão da natureza
Rodrigo Peronti
O segundo dia do 2º Fórum Observai de Educação Ambiental, realizado neste sábado (16) durante o Avistar 2026, no Jardim Botânico de São Paulo, reuniu pesquisadores, educadores e ambientalistas em debates sobre mudanças climáticas, observação de aves e a relação entre sociedade e natureza.
VEJA TAMBÉM:
Fenômeno das aves na internet abre 1º dia de Fórum Observai, em SP; confira
A programação destacou projetos que usam a educação ambiental como ferramenta de transformação social, aproximando crianças, escolas e comunidades da conservação da biodiversidade.
Desconexão
Palestra destacou a desconexão com a natureza
Rodrigo Peronti
Uma das palestras do dia foi conduzida pelo ambientalista Nondas Okiama, fundador do Instituto ConservAção Brasil, que falou sobre a crescente desconexão entre seres humanos e natureza.
Segundo ele, estudos internacionais apontam que o distanciamento começou a se intensificar a partir dos anos 1970 e vem sendo agravado pela hiperurbanização e pelo excesso de tempo em telas.
“As crianças reconhecem influencers, artistas e conteúdos das redes sociais, mas não reconhecem uma árvore ou o canto de um pássaro perto de casa”, afirmou.
📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp
Durante a palestra, Okiama também alertou para os impactos dessa desconexão na formação das novas gerações.
“O medo da natureza cresce e a experiência de vida fica cada vez mais isolada no contexto humano”, explicou.
Para o ambientalista, a educação ambiental é essencial para reconstruir essa relação.
“Uma criança que aprende a respeitar a vida cresce menos disposta a destruí-la”, destacou.
Veja mais:
'Precisamos devolver a natureza às crianças': veja a Carta do Fórum Observai 2025
Transformação em comunidade quilombola
Outro destaque da programação foi a apresentação da pesquisadora Simone Mamede sobre educação ambiental em comunidades quilombolas do território Kalunga, considerado o maior território quilombola reconhecido no Brasil.
O projeto utiliza a observação de aves como ferramenta pedagógica em escolas da comunidade, associando ciência, turismo de base comunitária e saberes tradicionais.
Veja o que é destaque no g1:
Vídeos em alta no g1
Segundo Simone, o trabalho começou em 2022 e já catalogou cerca de 300 espécies de aves na região.
Além do levantamento científico, a equipe passou a registrar os nomes populares utilizados pelos moradores para identificar as espécies.
“A gente percebeu uma diversidade enorme de nomes e significados ligados à cultura local”, contou.
Um dos exemplos apresentados foi o pássaro conhecido nacionalmente como “chora-chuva”, chamado pelos moradores da comunidade de “Maria Fiadeira”.
Segundo a pesquisadora, o nome faz referência ao som das antigas máquinas de fiar utilizadas pelos quilombolas.
“Tudo isso tem relação com memória, ancestralidade e território”, explicou.
O projeto também resultou na criação de materiais pedagógicos e de um álbum de figurinhas com aves da região, utilizado nas escolas da comunidade.
“A gente descobriu que pessoas de 3 a 100 anos gostam do álbum. As pessoas começam a observar as aves para preencher as figurinhas”, afirmou.
Labeduc
Tema de mudanças climáticas é urgente nas escolas
Rodrigo Peronti
As mudanças climáticas também estiveram no centro das discussões do Fórum Observai. A pesquisadora Daniela Resende de Faria apresentou o trabalho do Labeduc, laboratório ligado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), voltado à promoção da educação climática em escolas e espaços públicos.
Segundo Daniela, a proposta do projeto é integrar ciência, educação e tecnologia para aproximar estudantes dos impactos reais das mudanças climáticas.
“A educação climática precisa ser interdisciplinar. Não dá para separar clima, sociedade e natureza”, afirmou.
O laboratório desenvolve oficinas, jogos pedagógicos e atividades práticas com escolas, utilizando inclusive inteligência artificial para análise de dados climáticos e meteorológicos.
Grande parte do material produzido pelo grupo é disponibilizada gratuitamente para professores e escolas.
“A demanda por educação climática vem crescendo muito, principalmente por causa do aumento dos eventos extremos”, explicou a pesquisadora.
“No Tom das Aves”
Encerrando a programação do segundo dia do Fórum Observai, o Terra da Gente exibiu o documentário “No Tom das Aves”, que apresenta a relação do músico Tom Jobim com a natureza.
O documentário mostra como o compositor era um observador atento das aves, da fauna e da flora brasileiras e como essa conexão influenciou diretamente suas composições e sua forma de enxergar o mundo natural.
O Fórum Observai termina neste domingo (17) com atividades gratuitas voltadas à educação ambiental e conservação da biodiversidade.
Confira a programação do último dia:
Domingo (17)
10h: Atividade “Na Floresta”, com Manu Karsten
11h: Apresentação do projeto “Famílias pelo Clima”, com Daniela Vianna
12h: Exibição do minidocumentário “Mutum-de-Alagoas e o Cordel do Recomeço” (Equipe TG)
13h: Encerramento oficial do Fórum Observai
O Fórum Observai integra a programação do Avistar 2026, um dos maiores encontros de observação de aves da América Latina, realizado no Jardim Botânico de São Paulo.
VÍDEOS: Destaques Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente