Guia de frutos do Cerrado: conheça 120 espécies; veja quais são tóxicas
21/03/2026
(Foto: Reprodução) Guia reúne sabores e saberes do Cerrado após 20 anos de pesquisa
Livro Frutos do Cerrado
Um dos biomas mais ricos e também mais ameaçados do Brasil ganha um novo aliado na valorização de sua biodiversidade: o Guia de Frutos do Cerrado, obra do biólogo e fotógrafo de natureza Marcelo Kuhlmann.
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Resultado de duas décadas de pesquisas, expedições e vivências no coração do Cerrado, o livro apresenta 120 espécies de frutos nativos comestíveis, reunindo informações científicas, saberes tradicionais e possibilidades gastronômicas em uma publicação acessível e visualmente rica.
Embaúba (Cecropia pachystachya)
Marcelo Kuhlmann
A obra impressa foi publicada por meio de financiamento coletivo, com apoio direto de pessoas interessadas na conservação e no conhecimento do bioma.
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Um retrato do “pomar brasileiro”
Entre os destaques do livro estão frutos bastante conhecidos por quem vive no Cerrado, como o pequi, de sabor marcante e presença tradicional na culinária regional, e outros menos populares, como a gabiroba, o chichá-do-cerrado e a marmelada-preta.
Baunilha-do-cerrado
Livro Frutos do Cerrado
Há ainda espécies que despertam curiosidade pelo aroma e potencial gastronômico, como a baunilha-do-cerrado, além de frutos amplamente utilizados em doces e licores, como o jenipapo.
Para Marcelo, o livro nasce de uma relação profunda com o bioma
“O Cerrado é um grande pomar natural. Ao longo desses mais de 20 anos de pesquisa, fui percebendo que muita gente não conhece – ou não reconhece – a riqueza de frutos que existe aqui”.
Bacupari-do-cerrado (Salacia crassifolia)
Marcelo Kuhlmann
Organizado por famílias botânicas, o guia traz fotografias detalhadas e informações práticas que ajudam na identificação e no uso das espécies.
Um dos diferenciais da publicação é a classificação sensorial, que indica níveis de doçura, acidez, amargor e aroma, um recurso pensado para aproximar ciência e gastronomia.
Chichá-do-cerrado
Livro Frutos do Cerrado
“A ideia foi justamente facilitar o uso desses frutos no dia a dia, inclusive na cozinha. Mostrar que eles não são só interessantes do ponto de vista ecológico, mas também saborosos e versáteis”.
Frutos tóxicos
Nesta terceira edição, totalmente revista e ampliada, a obra ganha um capítulo inédito sobre frutos tóxicos – um tema essencial para quem quer explorar o Cerrado com segurança.
Pequi e pequi-branco
Livro Frutos do Cerrado
“Nem tudo que está no Cerrado pode ser consumido. Por isso, a identificação correta é fundamental. Esse capítulo vem como um alerta, mas também como parte do processo de educação ambiental”.
Além disso, o livro traz um calendário de frutificação e informações ecológicas que ajudam tanto pesquisadores quanto produtores e coletores.
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Ciência, fotografia e conservação
Natural de Brasília, Marcelo Kuhlmann Peres é biólogo, mestre e doutor em Botânica pela Universidade de Brasília (UnB), além de fotógrafo de natureza. Em suas obras, ele busca unir ciência e imagem como forma de sensibilização.
“A conservação começa pelo conhecimento. Quando as pessoas passam a reconhecer os frutos, a entender os ciclos, elas criam uma conexão com o bioma. E isso muda a forma como elas se relacionam com eles”.
Gabiroba-do-cerrado e gabiroba-felpuda
Livro Frutos do Cerrado
A publicação conta ainda com a colaboração da pesquisadora Thamyris Carvalho Andrade, doutora em Geografia e professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), cujo trabalho conecta a cultura alimentar do Cerrado ao uso do território, destacando a importância dos frutos na sociobiodiversidade regional.
Um convite ao conhecimento
Voltado a públicos diversos – de chefs e pesquisadores a agricultores, estudantes e amantes da natureza –, o guia reforça a importância de valorizar o Cerrado em diferentes dimensões.
“Valorizar os frutos do Cerrado é valorizar também a cultura, os saberes tradicionais e as pessoas que vivem nesse território”.
Em um cenário de pressão crescente sobre o bioma, o livro surge como um convite: conhecer, experimentar e preservar.
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