Idosos do interior de SP cursam psicologia depois dos 70 anos: 'Nunca é tarde'
10/01/2026
(Foto: Reprodução) Cresce o número de pessoas com mais de 60 anos nas faculdades
O número de pessoas com mais de 60 anos matriculadas em faculdades tem crescido no Brasil. Dados do Censo do Ministério da Educação mostram alta de 56% entre 2012 e 2021 entre os "veteranos" que estão cursando o ensino superior, como ocorre em uma faculdade de São José do Rio Preto (SP), onde a graduação em psicologia tem dois alunos com mais de 70 anos.
Aos 73 anos, Terezinha Pereira da Costa mostra que nunca é tarde para aprender. Ela dedica parte do dia aos estudos em casa, entre livros e anotações. A trajetória escolar foi interrompida ainda na infância, quando precisou deixar a escola ao se mudar com a família para um sítio distante.
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“Na terceira série, meus pais mudaram para um sítio. Concluí o terceiro ano, mas lá não havia quarto ano. Meu irmão continuou, eu parei. Depois casei e fiquei sem estudar, trabalhando”, lembra Terezinha.
O retorno aos estudos veio aos 51 anos, quando fez o supletivo. Desde então, realiza o sonho de voltar à sala de aula.
Terezinha Pereira da Costa, de 73 anos
Reprodução/TV TEM
“Trabalhei com crianças e adolescentes e senti que precisava me profissionalizar. Pensei que já estava em idade avançada, mas decidi estudar. Nunca é tarde. Estou gostando muito, porque adquirimos conhecimento e aprendizado”, afirma.
Aos 71 anos, Dorival Rodrigues já está na terceira graduação. “Já fiz outros cursos e sou mestre em psicanálise. Resolvi complementar com psicologia. Os colegas demonstram respeito e carinho. Só tenho a agradecer pela companhia deles”, diz.
Dorival Rodrigues, de 71 anos, já está na terceira graduação
Reprodução/TV TEM
Convivência e aprendizado
Estudos apontam que o aprendizado ajuda a preservar funções cognitivas e reduz o risco de depressão. A presença dos veteranos também é valorizada pelos colegas.
“Eles têm uma vivência enorme e nos ensinam a todo momento. Isso é muito importante”, destaca a universitária Izenir Lima.
“Eles são muito queridos. Dona Terezinha sempre traz boas histórias e, nos trabalhos, fala sobre sua vida. Já o senhor Dorival é ótimo de conversar, porque é psicanalista”, diz a universitária Julia Camassano.
A coordenadora do curso de psicologia, Regina de Souza, afirma que os dois são referência para a turma. “A maioria dos alunos é adolescente, e eles representam um exemplo de dedicação e força de vontade, tanto para os colegas quanto para os professores”, explica.
“Às vezes bate o sono, o cansaço e até a dor, mas penso: estudar é vida. Vou continuar. Acho muito bom mesmo”, conclui Terezinha.
Terezinha e Dorival cursam psicologia em faculdade de Rio Preto (SP)
Reprodução/TV TEM
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