Jovem que descobriu esclerose múltipla aos 17 anos relata desafios e reforça importância do diagnóstico precoce

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
Esclerose múltipla exige diagnóstico precoce e tratamento para garantir qualidade de vida A vida da estudante Maria Eduarda Dantas de Oliveira, de Sorocaba (SP), mudou completamente há dois anos. Aos 17 anos, o que parecia ser apenas cansaço e estresse se revelou um diagnóstico de esclerose múltipla, uma doença neurológica sem cura. Hoje, ela transforma a própria experiência em uma forma de conscientização e alerta para a importância do diagnóstico precoce. Os sintomas começaram de forma sutil e confusa. "Eu comecei com um formigamento, uma paralisia na mão [...]. Antes do diagnóstico, deu uma paralisia no rosto que o médico falou que poderia ser uma rinite mal tratada. Eu enxergava embaçado, uma visão duplicada, e passava o tempo, eu ia no médico e já tinha melhorado", conta Maria Eduarda. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Foi durante uma internação que veio a confirmação: esclerose múltipla. "Foi bem difícil, bem pesado, bem impactante. Eu não sabia o que ia ser da minha vida dali para frente. Eu não tinha noção nenhuma, porque eu não tinha conhecimento", desabafa. LEIA TAMBÉM: Pacientes ficam sem remédio gratuito após bloqueio do Farmácia Popular em Sorocaba e Votorantim Após reclamações, direção do CHS admite problemas e promete melhorias e mais leitos até o fim do ano A doença atacou a coordenação motora de Maria Eduarda. Atos simples, como colocar um brinco ou um colar, agora exigem a ajuda da mãe, Vanessa. No entanto, com a ajuda da fisioterapia, ela celebra pequenas vitórias diárias, como conseguir se maquiar sozinha e amarrar o próprio cadarço. "Eu tive cinco crises em dois anos, e a gente começou a fazer fisio. Nunca parei de fazer fisio, e foi o que me ajudou muito a voltar a ter coordenação, mobilidade, firmeza para andar", explica a jovem. Esclerose múltipla exige diagnóstico precoce e tratamento para garantir qualidade de vida Reprodução/TV TEM O que é a esclerose múltipla? A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune, ou seja, as células de defesa do corpo atacam o próprio sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal), provocando lesões. Segundo o governo federal, a doença atinge aproximadamente 40 mil pessoas no Brasil. Considerada rara, ela ocorre mais frequentemente entre jovens de 20 e 50 anos, com pico de incidência por volta dos 30 anos, e é cerca de duas vezes mais comum em mulheres. Segundo o médico neurologista Paulo Diniz Gama, o risco aumenta no grupo feminino por fatores hormonais, genéticos e condições do sistema imunológico. "A esclerose múltipla é uma doença inflamatória do sistema nervoso central. Então, é uma doença do sistema inflamatório que vai agredir de uma maneira desnecessária. O cérebro está vigilante no sistema imunológico, mas às vezes uma reação exagerada pode dar patologias, ou seja, lesar estruturas que não precisavam estar lesando", explica. Entre os principais sintomas da doença estão neurite óptica, diplopia, paresia ou alterações sensitivas e motoras de membros, disfunções de coordenação e equilíbrio, dor neuropática, espasticidade, fadiga, disfunções esfincterianas e cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou em combinação. O especialista afirma que os sintomas podem variar. "O indivíduo pode ter o sintoma de uma parte anestesiada do corpo que logo depois melhora. Pode ser uma fraqueza que também pode melhorar, uma baixa visão em um olho só que fica alguns dias", explica. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. "Se alguma coisa acontecer, vá atrás, porque os exames estão agora muito à disposição", alerta o médico. Tratamento multidisciplinar Esclerose múltipla exige diagnóstico precoce e tratamento para garantir qualidade de vida Reprodução/TV TEM O tratamento da esclerose múltipla envolve uma abordagem completa. Além da terapia por infusão, com medicamentos aplicados na veia para controlar o avanço da doença, o acompanhamento psicológico e a fisioterapia são essenciais, pois atuam na reabilitação e qualidade de vida. A mãe de Maria Eduarda, que também é fisioterapeuta, destaca a importância do apoio emocional. "Ao mesmo tempo que ela está bem, tem momento que ela oscila, que se questiona: 'Por que eu?'. [...] A fisioterapia melhorou, mas o tratamento psicológico é algo que, para ela, precisa ser contínuo", diz Vanessa. De acordo com o governo federal, pacientes com esclerose múltipla devem ser atendidos em serviços especializados, para seu adequado diagnóstico, inclusão no protocolo de tratamento e acompanhamento, e ser avaliados periodicamente quanto à eficácia do tratamento e desenvolvimento de toxicidade aguda ou crônica. O controle da atividade da doença depende dos medicamentos modificadores da esclerose múltipla. Existem também alguns níveis de atenção à saúde para pacientes com a doença e encaminhamento para serviço especializado. São eles: Atenção primária à saúde (APS) Tratamento sintomático (medicamentoso e não medicamentoso) da EM. Serviço especializado Suspeita de EM, com necessidade de exames clínicos com especialista, exames de neuroimagem e diagnóstico diferencial; Atividade da doença ou incidência de surto em pacientes já com tratamento clínico otimizado dentro da linha de tratamento preconizado; Episódio de internação hospitalar devido a surto; Sequela de surto; Cuidado de pacientes em uso de fingolimode com bradicardia. Serviço de emergência Suspeita de surto. De um ano de silêncio à conscientização Esclerose múltipla exige diagnóstico precoce e tratamento para garantir qualidade de vida Reprodução/TV TEM Maria Eduarda demorou um ano para conseguir falar abertamente sobre a doença. Hoje, ela usa sua voz para conscientizar outras pessoas. "Por mais que ninguém veja, ninguém vá olhar para você e falar que você tem, se você não falar, mas tem que tomar cuidado. E eu queria conscientizar as pessoas que ela [esclerose múltipla] existe, é invisível, ninguém olha e fala, mas ela está aí. E que as pessoas têm que se conhecer e dizer que está tudo bem se não estiver bem", finaliza. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/05/31/jovem-que-descobriu-esclerose-multipla-aos-17-anos-relata-desafios-e-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce.ghtml


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