'Justiça precisa ser feita para não acontecer com mais ninguém', diz pai de professora morta em piscina de academia da Zona Leste de SP

  • 09/02/2026
(Foto: Reprodução)
‘Justiça precisa ser feita para não acontecer mais’, diz pai de professora morta em piscina de SP O pai da professora de 27 anos morta após uma aula de natação em uma academia da Zona Leste de São Paulo, Ângelo Augusto Bassetto, pediu no domingo (8) justiça rigorosa contra os responsáveis pela manutenção da piscina. Muito abalado com a morte da filha, Juliana Faustino Bassetto, em um hospital de Santo André, na Grande SP, Bassetto afirmou que a família está profundamente triste e só quer que o caso não se repita em São Paulo. Essa justiça deve ser feita não para termos de valor - a gente não quer saber de nada, nada - é para não acontecer com mais ninguém, com ninguém. Porque o que aconteceu aí pode acontecer futuramente com alguém... Pelo que fiquei sabendo, [usaram] ozônio, que é muito forte dependendo da quantidade e dosagem. Ângelo Augusto Bassetto é pai da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Reprodução/TV Globo Muito emocionado e em lágrimas, ele lamentava a morte: "Eu não tenho o que falar, porque tudo que vejo na minha casa eu vejo ela... meu filho é o único que está se segurando. Porque eu e a minha esposa... eu não consigo... tá me doendo tanto...". Em entrevista à TV Globo, Ângelo Bassetto contou que chegou a ver a filha ainda viva no hospital, mas que ela respirava com muita dificuldade. O quadro de saúde dela se agravou e evoluiu para parada cardíaca. Segundo o pai, a médica que atendeu Juliana e o marido dela, Vinicius de Oliveira, contou que o produto químico usado na academia foi para parte do pulmão da professora. “O Vinícius disse que, quando ele pulou, já sentiu o pulmão. Quando ele subiu, tentou avisar a Juliana, mas ela já tinha pulado e já levantou muito mal. A médica do hospital disse que ela estava com muita água no pulmão. Queimou muito ela por dentro o produto”, afirmou o pai. Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em SP O caso ocorreu no sábado (7). Juliana e Vinícius estavam na aula, como de costume, quando notaram que a água da piscina apresentava odor e gosto anormais. Como se sentiram mal, eles comunicaram o professor responsável e todos os alunos se retiraram do local. As causas da morte de Juliana ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil de São Paulo, que apreendeu amostras da água da piscina da academia C4 Gym e os produtos químicos usados na unidade. O marido de Juliana também está internado em estado grave e foi entubado. Um outro adolescente de 14 anos também está hospitalizado após usar a mesma piscina. Outras duas pessoas também receberam atendimento médico e foram liberadas. A Vigilância Sanitária da cidade de São Paulo interditou a academia, no Parque São Lucas, na Zona Leste da capital paulista. A academia não tinha alvará de funcionamento, segundo a polícia. A suspeita é que houve uma intoxicação da água da piscina por produtos químicos, que produziu gases tóxicos no ambiente, segundo o delegado que conduz a investigação. Em nota, a Subprefeitura Vila Prudente informou que "interditou, preventivamente, a Academia C4 devido às irregularidades encontradas como: existência de dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço, não possuir o Auto de Licença de Funcionamento e constatada situação precária de segurança". O velório de Juliana estava previsto para esta segunda às 8h no Velório Avelino, no Jardim Avelino, em São Paulo. O enterro está marcado para 14h no Cemitério Quarta Parada. Parentes relataram à TV Globo que Juliana e Vinícius se casaram em dezembro de 2024, tinham acabado de comprar um apartamento e faziam planos para ter filhos. A família também contou que ela era apaixonada por ioga e fazia parte de uma comunidade espírita. O que diz a academia Comunicado da academia C4 Gym após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. Reprodução/Instagram Por meio de nota, a academia afirmou que “assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompeu imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes”. “Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”, disse. A academia C4 Gym também disse que, “em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, permanecerão fechadas nesta segunda-feira (9)”. A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que morreu na Zona Leste de SP após usar piscina. Reprodução/Redes Sociais Polícia investiga morte de mulher após nadar em piscina de academia em São Paulo Suspeita de intoxicação Juliana e o marido Vinícius Arquivo Pessoal A academia C4 Gym não tinha alvará de funcionamento e foi interditada neste domingo (8) pela Vigilância Sanitária, informou a Polícia Civil. (veja mais abaixo). A investigação aponta possível intoxicação por inalar produtos químicos que estavam na área da piscina. Contudo, também não descarta a possibilidade de que havia produto na água. "No momento, temos uma vítima em óbito, o esposo dela em estado grave hospitalizado, um adolescente que está na UTI e duas vítimas que tiveram alta. Pelo apurado inicialmente pela perícia, houve uma reação quimica lá provavelmente com os produtos utilizados pela limpeza da piscina que intoxicou todo o ar e gerou envenenamento dessas pessoas", afirmou o delegado Alexandre Bento, do 42º DP. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após nadar em piscina de academia TV Globo/Arquivo Pessoal "Estamos aguardando a liberação do espaço para saber que produtos foram utilizados para a gente conseguir entender como se deram a dinâmica dos fatos. Estamos tentando localizar os responsáveis, o professor que estava dando aula. Testemunhas disseram que quem fazia a mistura dos produtos era o manobrista", ressaltou o delegado. Ainda conforme o delegado, os responsáveis pelo estabelecimento fecharam o local após o acidente e não informaram a polícia. "Soubemos só quando houve a morte da Juliana. Queremos entender, já que a academia fica em frente a uma delegacia. Tanto que para entrarmos e fazer a perícia tivemos que arrombar o local", disse o delegado. Produtos de limpeza foram encontrados na área da piscina TV Globo O que diz a Secretaria da Segurança Pública "O caso é investigado pelo 42° Distrito Policial (Parque São Lucas) que foi notificado, até o momento, de cinco vítimas - sendo uma fatal. Após o trabalho da perícia e da Vigilância Sanitária, agentes da unidade policial realizaram diligências no local e apreenderam objetos para a apuração. As investigações prosseguem para o total esclarecimento dos fatos". Bombeiros durante perícia na academia na Zona Leste de São Paulo TV Globo Academia da Zona Leste de SP onde mulher morreu após nadar em piscina não tinha alvará e foi interditada neste domingo (8) TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/09/justica-precisa-ser-feita-para-nao-acontecer-com-mais-ninguem-diz-pai-de-professora-morta-em-piscina-de-academia-da-zona-leste-de-sp.ghtml


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