Maior diagnóstico e conscientização: atendimentos por TDAH crescem 289% na região de Campinas
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Departamento Regional de Saúde de Campinas registra alta de 289% nos atendimentos por TDAH
Os atendimentos relacionados ao transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) cresceram 289% nos últimos seis anos na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde.
Antônio Carvalho de Ávila Jacintho, psiquiatra especializado em infância e adolescência da Unicamp, explica que o crescimento está ligado a um conjunto de fatores, como maior reconhecimento sobre o transtorno, qualificação dos profissionais e conscientização da sociedade.
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O médico aponta que pais e responsáveis estão mais atentos aos sinais apresentados pelas crianças, o que leva à busca por avaliação médica mais cedo. O grupo de crianças e adolescentes, entre 5 e 14 anos, representou 89% dos atendimentos em 2025, por exemplo.
“Hoje, profissionais da saúde mental, como psiquiatras, psicólogos e pediatras, estão mais capacitados para identificar o TDAH”, explica Jacintho.
De acordo com os dados da Secretaria Estadual de Saúde, os atendimentos na regional de Campinas saltaram de 1.699 em 2020 para 6.618 em 2025.
2020: 1.699
2021: 2.244
2022: 3.134
2023: 4.390
2024: 5.907
2025: 6.618
O especialistas alerta, no entanto, que nem toda criança desatenta ou inquieta tem TDAH e que o diagnóstico preciso é fundamental.
O TDAH é caracterizado por três sintomas centrais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. E os sintomas variam de acordo com a faixa etária.
Em crianças e adolescentes
Agitação
Dificuldade de concentração
O médico destaca que, nessa fase da vida, os sintomas podem ser confundidos com comportamentos típicos da infância, o que dificulta o diagnóstico.
Em adultos
Desorganização mental e física
Dificuldade para diferenciar prazos e priorizar tarefas
Dificuldades nas relações interpessoais
Impaciência
Oscilações de humor
Adiamento constante de tarefas muito desafiadoras (procrastinação)
Atendimentos por TDAH crescem 289% na região de Campinas, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde
Reprodução/EPTV
'Não é moda'
Apesar da maior conscientização, o preconceito ainda é uma barreira. Alícia, filha da psicopedagoga Ceschi Shishido, relata que sente vergonha na escola por não entender a matéria de primeira e que colegas invalidam sua condição.
"Meus amigos que acham que TDAH é moda, brincam com isso, principalmente quando eu tiro uma das maiores notas da sala, eles brincam, tipo, 'ah, ela tem TDAH, a prova tá mais fácil'", conta a menina.
A mãe reforça a seriedade do transtorno e pede respeito.
"TDAH não é moda, não é um rótulo. Nós precisamos ter um olhar individual para essa pessoa. É uma dificuldade que a pessoa tem. Parem com essa modinha, com essas brincadeiras que realmente ferem as pessoas que têm esse transtorno", afirma Clarissa.
Compreensão e apoio
Patrícia Campos, mãe de Isac, conta que o filho não conseguia manter o foco na escola a ponto de não copiar a lição. A situação mudou com a percepção de uma professora.
"Ela me chamou e falou: 'não, ele não faz não é porque ele não quer, ele não faz porque ele não consegue fazer'", recorda.
Após o diagnóstico, Isac aprendeu a lidar melhor com a ansiedade e encontrou o apoio da família. "Não adianta a pessoa ter o TDAH, mas não ter o suporte em casa. Se ele precisar eu vou estar ali, sempre", conta o irmão mais velho, João Victor.
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