Mulher de tenente-coronel encontrada morta com tiro na cabeça é enterrada em Suzano
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Polícia investiga morte de policial militar no Centro de SP
O corpo da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi enterrado na manhã desta sexta-feira (20) no cemitério Parque Colina dos Ipês, em Suzano. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no Brás, Centro de São Paulo, na quarta-feira (18).
A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. O marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, disse em depoimento que ela tirou a própria vida. A família, no entanto, contesta a versão e acredita em feminicídio.
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Durante o velório, a tia de Gisele, Maria de Lourdes Huber, afirmou que o relacionamento da sobrinha era conturbado e que os pais já haviam alertado a filha. Segundo ela, Gisele tentou se separar dias antes de morrer.
Familiares e amigos acompanham enterro da soldado Gisele Alves Santana em cemitério de Suzano
Maiara Barbosa/TV Diário
"Na sexta-feira ela ligou para o pai, [e disse] 'pai vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui'. O pai foi buscar e não conseguiu trazê-la, conseguiu trazer a neta, mas não conseguiu trazê-la", contou a tia.
Maria de Lourdes também relatou que o tenente-coronel impunha proibições à esposa.
"Ele a proibia de usar salto, de usar roupa de academia, de usar batom. Tanto que os perfumes dela eram guardados no quartel, ela não tinha perfumes mais nem em casa", disse.
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Suspeita de feminicídio
O advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Junior, afirma que os indícios colhidos até o momento não sustentam a versão de suicídio apresentada pelo marido.
"No meu entendimento e no entendimento da família, tudo caminha para um feminicídio. Tanto é verdade que já foi mudado o histórico do boletim de ocorrência para morte suspeita", ressaltou o advogado.
Para a defesa, a conduta do tenente-coronel no dia da ocorrência gera desconfiança. "A conduta dele de relatar que estava tomando banho, quando ocorreu o evento de disparo, e depois, na hora do socorro, ele pedir para tomar banho novamente... Isso causa uma estranheza enorme", afirmou.
Segundo o advogado, a família possui provas de ameaças psicológicas e chantagem emocional que serão entregues à polícia.
Relembre o caso
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada ferida na sala do apartamento pelo marido. Segundo o relato do tenente-coronel, ele estava no banho quando ouviu um barulho que, inicialmente, achou ser uma porta batendo. Ao sair do banheiro, ele encontrou a esposa caída com a arma na mão. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, mas não resistiu.
Em depoimento, a mãe de Gisele, no entanto, descreveu o genro como "abusivo e violento", alegando que ele impunha restrições ao comportamento da filha e exigia o cumprimento rigoroso de tarefas domésticas.
Ela relatou à polícia que, em uma ocasião anterior em que Gisele mencionou a intenção de se separar, Geraldo teria enviado a ela uma fotografia em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça, em um ato de chantagem emocional. A mãe contou ainda que, dias antes da morte, a filha ligou chorando, afirmando que queria se separar definitivamente.
O caso foi registrado e segue sob investigação. A Polícia Civil aguarda laudos periciais, exames residuográficos e a análise das imagens de segurança para esclarecer as circunstâncias da ocorrência.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Reprodução
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