O mundo no prato: visitamos 10 restaurantes internacionais que transformam a cidade de SP em um mapa de sabores e histórias

  • 25/01/2026
(Foto: Reprodução)
O mundo no prato no centro de São Paulo Entre panelas que borbulham, ervas frescas cortadas na hora, massas abertas à mão e caldos que cozinham por horas, a cidade de São Paulo, a aniversariante do dia, reúne cheiros e sabores que atravessam oceanos. Em restaurantes pequenos, discretos, dentro de casinhas ou já tradicionais, chefs vindos de diferentes partes do mundo transformam ingredientes em memória, identidade e afeto. Eles fazem da comida uma forma de contar a própria história da cidade. No ano em que São Paulo completa 472 anos, o g1 conheceu dez cozinhas na capital para provar (literalmente) que a região consegue colocar no mesmo prato temperos de todo o globo e entender como a gastronomia ajuda a explicar a alma paulistana. A equipe de reportagem foi da Grécia à Bulgária, do Vietnã à Tailândia, passando pelas culinárias judaica, africana, indiana, coreana, taiwanesa e mexicana. Em comum, todos carregam a mesma escolha: fincar raízes em uma cidade que se construiu a partir de encontros, imigração e diversidade. Os chefs falaram sobre trajetórias de vida, sobre o caminho até São Paulo e sobre o amor pela cidade que escolheram viver — além, é claro, dos pratos típicos. Em cada receita, há técnica, tradição e adaptação. Confira abaixo — e tente não salivar muito: 🇧🇬 Bulgária A Casa Búlgara nasceu pelas mãos de Lina Levi, imigrante búlgara, e hoje é mantido pela filha, Shoshana Baruch Gustavo Honório/g1 Há 50 anos, uma pequena loja do Bom Retiro preserva sabores, memórias e tradições que atravessaram o oceano. Fundada em 1º de dezembro de 1975, a Casa Búlgara permanece no mesmo endereço como um raro exemplo de continuidade na gastronomia paulistana. O negócio nasceu pelas mãos de Lina Levi, imigrante búlgara, e hoje é mantido pela filha, Shoshana Baruch. No início, a ideia da fundadora era vender apenas sorvetes, queijos e iogurtes típicos da Bulgária. Mas foram as burékas — salgado de massa folhada artesanal, moldado em formato de rosca — que definiram o rumo da casa. As receitas, feitas originalmente em casa, passaram a ser produzidas na loja depois da boa aceitação dos clientes. Meio século depois, o cardápio segue baseado no mesmo princípio: manter o sabor original. “Quem comeu há 50 anos, come hoje a mesma coisa”, resume Shoshana. O destaque da Casa Búlgara é o queijo búlgaro, produzido no próprio local, e usado como recheio principal das burékas mais vendidas. Branco e salgado no ponto, ele costuma ser comparado ao feta, mas a chef faz questão de diferenciar. Tudo é preparado de forma artesanal, com ingredientes mantidos rigorosamente iguais ao longo das décadas. A permanência no Bom Retiro também é parte da história do restaurante. Quando Lina chegou ao bairro, a região tinha forte presença judaica, o que ajudou na fixação do comércio. Mesmo com as transformações do Centro e a chegada de novos fluxos migratórios, como o coreano, a Casa Búlgara seguiu atraindo públicos diversos. “Os coreanos vêm, os brasileiros vêm, os imigrantes vêm”, conta. A cozinheira contou que, na Bulgária, a buréka é um alimento cotidiano, consumido no café da manhã, como se fosse nosso pão de queijo. SERVIÇO: 🍽️Casa Búlgara 📍 Onde? R. Silva Pinto, 356 - Bom Retiro, Centro 🇰🇷 Coreia do Sul Aberto em 2009, o restaurante é comandado por Dona Regina, que vê São Paulo como um terreno fértil para encontros culturais. “São Paulo abraça várias etnias, em tudo, em cultura", resume. Gustavo Honório e João de Mari/g1 Já no bairro da Liberdade, região historicamente marcada pela imigração asiática, o Portal da Coreia ajuda a contar como a culinária coreana ganhou espaço no paladar paulistano. Aberto em 2009, o restaurante é comandado pela Regina, que vê São Paulo como um terreno fértil para encontros culturais. “São Paulo abraça várias etnias, em tudo, em cultura", resume. Antes de se dedicar integralmente à gastronomia, a coreana construiu uma trajetória ligada às artes: por anos, esteve à frente de companhia de dança tradicional coreana com a qual viajou pelo Brasil e pelo mundo, sempre divulgando a cultura do país de origem. A virada para a cozinha veio de forma quase natural: a mãe já mantinha um restaurante em São Paulo desde os anos 1980, e as receitas de família sempre estiveram presentes. “Eu dançava no palco, agora danço na cozinha”, brincou. Quando o Portal da Coreia nasceu, a culinária coreana ainda era pouco conhecida na capital. Segundo Regina, o interesse começou a crescer aos poucos, impulsionado pelo "boom" dos doramas e dos grupos de K-pop. Para ela, hoje é possível comer comida coreana na cidade com qualidade até superior à encontrada na Coreia. Durante a visita, a chef apresentou um dos pratos mais emblemáticos do restaurante: o bibimbap, servido em panela de pedra ainda borbulhante. Colorido e visualmente impactante, o prato reúne arroz, carne, legumes, cogumelos, ovo, algas e caldo, em uma composição que valoriza a harmonia de cores e sabores. Antes de misturar tudo, ela faz questão de explicar o ritual: “Deguste com os olhos”, diz, destacando que a experiência vai além do paladar. SERVIÇO: 🍽️Portal da Coreia 📍 Onde? R. da Glória, 729 - Liberdade, Centro 🇨🇮 Culinária africana Aprender a cuidar da casa, da comida e da família era quase que uma obrigação. E esse espírito caseiro está presente até hoje no Biyou'Z Gastronomia Africana. Gustavo Honório/g1 Em uma cidade marcada por cozinhas do mundo inteiro, a gastronomia africana demorou a conquistar espaço visível em São Paulo. Foi essa ausência que chamou a atenção da camaronesa Melanito Biyouha ao chegar ao Brasil em 2007. Ao circular pela capital paulista, ela encontrou restaurantes de diversas origens, mas percebeu que faltava um "elo essencial": a culinária do continente africano, matriz de tantas culturas que ajudaram a formar o país. Criada em Yaoundé, capital de Camarões, Melanito cresceu em um ambiente em que cozinhar fazia parte da educação familiar. Aprender a cuidar da casa, da comida e da família era quase uma obrigação. E esse espírito caseiro está presente até hoje no Biyou'Z Gastronomia Africana. O começo da chef na gastronomia foi muito modesto. Antes de ter um endereço fixo, Melanito assava peixes em uma churrasqueira improvisada na calçada. Aos poucos, o projeto ganhou forma até a abertura da primeira casa, na Alameda Barão de Limeira, seguida pela mudança para o espaço atual, três vezes maior. Hoje, o cardápio reúne pratos inspirados em países como Camarões, Senegal, Nigéria, Congo, Angola e Marrocos. O g1 provou um que veio da Costa do Marfim: o attiéké , um cuscuz de mandioca de preparo delicado, servido com peixe, salada de cebola e molho tomate. Suave e aromático, o prato revela a sofisticação de uma culinária pouco conhecida pelo público brasileiro. Segundo Melanito, a escolha reflete o desejo de apresentar a diversidade africana sem hierarquias ou “carros-chefe”, já que cada cliente chega ao restaurante carregando suas próprias referências e memórias . SERVIÇO: 🍽️Biyou'Z Gastronomia Africana 📍 Onde? R. Fernando de Albuquerque, 95 - Consolação, Centro ✡️ Culinária judaica A culinária judaica no Shoshana Delishop ajuda a contar a história de São Paulo por meio da memória, da adaptação e da convivência entre culturas Gustavo Honório e João de Mari/g1 Mais um representante do Bom Retiro, bairro marcado por sucessivas ondas de imigração, a culinária judaica no Shoshana Delishop ajuda a contar a história de São Paulo por meio da memória, da adaptação e da convivência entre culturas. O espaço se define como sendo de “culinária judaica diaspórica”. A proposta parte do entendimento de que não existe uma única comida judaica. Cada casa, cada família e cada região construiu suas próprias receitas, moldadas por ingredientes disponíveis e pelo contexto histórico, explica Dedé Sendyk, gerente do restaurante. No Shoshana, essa ideia se reflete em um cardápio que reúne influências da Europa Oriental, do Norte da África e do Oriente Médio, além de adaptações brasileiras. “A gente brinca que é a segunda melhor comida da cidade, porque a melhor é sempre a da memória, da avó”, resume ela. Essa relação entre comida e afeto aparece de forma emblemática no gefilte fish. Tradicional nas festas judaicas, o bolinho de peixe carrega significados religiosos e históricos: além de simbolizar abundância, surgiu também como solução em tempos de escassez, quando transformar um peixe em vários bolinhos ajudava a alimentar mais pessoas. Dedé confessa que não gostava do prato quando criança, mas hoje o reconhece como símbolo de pertencimento. SERVIÇO: 🍽️Shoshana Delishop 📍 Onde? Rua Correia de Melo, 206/212 - Bom Retiro, Centro 🇬🇷 Grécia Fundado em plena pandemia, em julho de 2020, o Prato Grego nasceu sem plano de negócios e sem estrutura. Gustavo Honório/g1 No coração do Bom Retiro, no Centro de São Paulo, um pequeno restaurante virou símbolo de resistência, afeto e identidade cultural. Fundado em plena pandemia, em julho de 2020, o Prato Grego nasceu sem plano de negócios e sem estrutura. Nem pia tinha. Cinco anos depois, o espaço se consolidou como um ponto de encontro entre a gastronomia grega e a diversidade paulistana. Agora, tem até "quebródromo" de pratos gregos. Um sucesso com os clientes. A trajetória do restaurante se confunde com a de Stélios Moyssiadis, um dos proprietários, nascido e criado no Bom Retiro. Filho de pai grego e mãe gaúcha, ele começou promovendo festas gregas no bairro por amor à cultura do país do pai, sem intenção comercial. Com a chegada da pandemia e o fim dos eventos, a alternativa foi improvisar: uma airfryer ganhada da filha e apenas uma mesa deram início ao que o próprio Stélios batizou como “o maior-menor restaurante grego do Brasil”. O salto de profissionalização veio com a entrada do chef Costas Francesos como sócio. Neto de gregos, ele começou a cozinhar ainda criança, ajudando a avó nas férias, e transformou a memória afetiva da comida em profissão. Com mais de duas décadas de experiência, incluindo temporadas de trabalho na Grécia e a abertura de um restaurante próprio em Curitiba, Costas chegou ao Prato Grego quando pensava em se afastar da gastronomia. A história do restaurante e o potencial de criar uma experiência cultural o fizeram mudar de ideia. Para o chef, São Paulo é um território único para a gastronomia. “O grego não cozinha só para grego, o coreano não cozinha só para coreano”, afirma. Nesse cenário, o Bom Retiro se mantém como um bairro marcado pela presença de imigrantes e pela convivência de culturas. O prato escolhido por eles para representar o país foi o polvo com batatas. A receita combina técnicas tradicionais com uma finalização autoral, usando manteiga clarificada e amendoada, alho, redução do caldo do próprio polvo e ervas. SERVIÇO: 🍽️Prato Grego 📍 Onde? R. Ribeiro de Lima, 453 - Bloco C, 1º andar - Bom Retiro, Centro 🇮🇳 Índia O Atithi, restaurante indiano comandado por Ajay Kaintura, vê na capital paulista o lugar ideal para apresentar os sabores e os significados da cozinha de seu país natal a um público diverso e internacional. João de Mari/g1 O Atithi, restaurante indiano comandado por Ajay Kaintura, vê na capital paulista o lugar ideal para apresentar os sabores e os significados da cozinha de seu país natal a um público diverso e internacional. A história de Ajay com a gastronomia começa em casa, ponto em comum de vários chefs estrangeiros em São Paulo. Filho, neto e sobrinho de cozinheiros profissionais, ele cresceu em meio às panelas e às receitas tradicionais da Índia. O pai foi o primeiro da família a chegar ao Brasil, em 1996, convidado para representar a culinária indiana no país. Anos depois, após trabalhar e divulgar esses sabores, a família decidiu abrir o próprio negócio. Ele costuma receber clientes que não falam português e buscam uma comida que remeta ao país de origem. “Aqui tem gente do mundo inteiro”, diz o chef, ao definir a capital como uma vitrine natural para a culinária indiana. A cozinha apresentada no restaurante carrega também a filosofia da ayurveda, sistema tradicional que estuda as propriedades das plantas e seus efeitos no corpo. Os famosos temperos marcantes nos pratos não são usados apenas pelo sabor, mas também pelo equilíbrio e pela energia que proporcionam à alimentação cotidiana. O nome do restaurante também carrega um significado cultural profundo. Atithi quer dizer "visita”, e remete à expressão ancestral "Atithi Devo Bhava", que traduz a ideia de que todo visitante deve ser recebido como um deus. A filosofia orienta o atendimento e o conceito da casa. Para Ajay, cozinhar em São Paulo é uma forma de criar uma “pequena Índia” para quem sente saudade e, ao mesmo tempo, convidar a cidade a conhecer uma cultura milenar por meio da comida. SERVIÇO: 🍽️Atithi 📍 Onde? Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2471 - Jardim Paulista, Zona Oeste 🇲🇽 México La Taqueria Popular é comandada pelo chef mexicano Quique Calderón. João de Mari/g1 La Taqueria Popular é comandada pelo chef mexicano Quique Calderón, que trouxe para a capital paulista uma proposta direta: servir tacos como eles são feitos no México, sem adaptações ao paladar brasileiro ou concessões ao chamado Tex-Mex. A aposta, que há alguns anos seria impensável, hoje encontra um público cada vez mais interessado em sabores autênticos e histórias que atravessam fronteiras. Quique nasceu no estado de Veracruz, no sul do México, mas carrega também influências do Norte do país, de onde são seus pais. Essa mistura aparece tanto na maneira de cozinhar quanto na forma de pensar a comida. Por aqui, ele precisou recriar práticas como a produção diária de tortilhas, já que não existe uma comunidade mexicana numerosa nem as tradicionais tortillerias espalhadas pelas cidades. A trajetória de Quique no Brasil começou de forma inesperada. Formado em gastronomia desde 2000, ele veio ao país após ganhar uma viagem da mãe. E ficou. Trabalhou com a escritora e crítica gastronômica Nina Horta, fazendo refeições sob encomenda, até decidir apostar em um projeto próprio. O primeiro passo foi um trailer improvisado, que ele define como “um trailer velho”, onde vendia tacos. O negócio evoluiu para um contêiner e, mais tarde, para o restaurante que hoje ocupa um espaço fixo no Centro. Quique apresentou um de seus pratos mais emblemáticos: o taco al pastor. A carne é preparada e finalizada rapidamente, em um processo que leva poucos minutos, reforçando o caráter prático e popular da comida de rua mexicana. O taco leva carne, cebola, abacaxi, molho gelado, limão e sal, uma combinação que, segundo o chef, faz toda a diferença no sabor. Ao completar aniversário, São Paulo aparece no discurso de Quique como uma cidade em constante transformação, capaz de acolher cozinhas do mundo inteiro sem perder sua identidade. Para ele, o avanço do interesse pela gastronomia “real”, sem adaptações, abre espaço para projetos como La Taqueria Popular. “A galera já quer o verdadeiro”, diz. SERVIÇO: 🍽️La Taqueria Popular 📍 Onde? R. Frei Caneca, 1.057 - Consolação, Centro 🇹🇭 Tailândia Os subchefs do Ping Yang Lucia Caparroz e João Milanez apresentaram alguns dos pratos que ajudam a contar essa história. Gustavo Honório/g1 No vai e vem de sabores que ajudam a contar a história de São Paulo, o Ping Yang, restaurante de culinária tailandesa, se firmou como um endereço que traduz a relação da cidade com cozinhas do mundo. À frente do restaurante está o chef Maurício Santi, cozinheiro há mais de 25 anos. Sua trajetória profissional começou longe da Tailândia e até mesmo das panelas. Ex-manobrista em Miami, nos EUA, ele teve o primeiro contato com a comida tailandesa no fim dos anos 1990 e descreve a experiência como um divisor de águas. A partir dali, passou a estudar, cozinhar e viajar em busca de conhecimento, trabalhando em cozinhas nos Estados Unidos, na Austrália e, depois, vivendo por anos na própria Tailândia, onde mantém até hoje uma rotina anual de pesquisa gastronômica. Quando conversou com o g1, inclusive, ele ostentava uma viva Bangkok ao fundo do vídeo. Essa dedicação se reflete no conceito do Ping Yang, inaugurado em São Paulo após duas décadas de estudo e imersão cultural. O restaurante aposta em receitas que representam diferentes regiões da Tailândia. Durante a visita da equipe de reportagem, os subchefs Lucia Caparroz e João Milanez apresentaram alguns dos pratos que ajudam a contar essa história. Um deles é o miang kham, um snack tradicional do Norte da Tailândia servido em folhas e montado à mão. A receita reúne cebola roxa, gengibre, coco tostado, amendoim, pimenta, cítricos e um caramelo complexo à base de tamarindo e molho de peixe — combinação que, segundo os cozinheiros, representa “a Tailândia em uma mordida”. Para os cozinheiros, a capital paulista oferece o terreno ideal para esse tipo de encontro. Vindos do interior, Lúcia e João destacam que é em São Paulo que se pode provar comidas feitas por pessoas que carregam a cultura de seus países de origem. SERVIÇO: 🍽️Ping Yang 📍 Onde? R. Dr. Melo Alves, 767 - Cerqueira César, Zona Oeste 🇹🇼 Taiwan No Centro de São Paulo, o Aiô é um dos endereços que ajudam a apresentar ao público brasileiro uma culinária ainda pouco conhecida: a de Taiwan. João de Mari/g1 O Aiô é um dos endereços que ajudam a apresentar ao público brasileiro uma culinária ainda pouco conhecida: a de Taiwan. O restaurante nasceu a partir do mesmo sonho que deu origem ao Mapu, projeto criado pelos fundadores Duilio, brasileiro descendente de taiwaneses, e Jasmine, imigrante taiwanesa. A ideia sempre foi usar a comida como forma de traduzir cultura e afeto — primeiro em uma barraquinha, depois em um food truck que rodou São Paulo e cidades próximas, até se transformar em um fino restaurante fixo. No comando das panelas, hoje estão os chefs Victor Valadão e Caio Yokota, que entraram no projeto ainda na fase itinerante. Segundo eles, o processo de adaptação da comida de rua taiwanesa ao contexto brasileiro passou por estudo intenso. Antes mesmo de viajar, a equipe passou meses mergulhada em livros, vídeos e referências sobre ingredientes e técnicas. Mas a virada aconteceu em 2019, quando passaram quase 30 dias em Taiwan, percorrendo a ilha para entender os sabores, os rituais e a lógica da comida cotidiana que queriam reproduzir em São Paulo. Para os chefs, a escolha de São Paulo como ponto de partida faz todo sentido. Eles apontaram que a cidade abriga povos do mundo inteiro e tem um público curioso, disposto a experimentar o novo com respeito. “Aqui a gente sente esse calor das pessoas querendo entender: que comida é essa?”, afirmam. Para eles, o cenário gastronômico paulistano é reflexo direto de uma cidade formada por imigrantes, onde a diversidade cultural aparece naturalmente também à mesa — da culinária italiana à taiwanesa. Um dos pratos apresentados foi o Lu rou fan, arroz coberto com carne de porco cozida lentamente, considerado um clássico de Taiwan. Para Victor, é um prato que impressiona pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela complexidade de sabores. “Era uma das coisas que mais me dava prazer comer em Taiwan, no café da manhã, no almoço, no jantar”. A própria trajetória dos chefs ajuda a explicar a identidade do restaurante. Victor é mineiro criado em Fortaleza; Caio, paulista descendente de japoneses. Nenhum deles é de Taiwan. Ainda assim, veem no Aiô um retrato fiel de São Paulo. “É um restaurante taiwanês tocado por um mineiro e um bragantino". SERVIÇO: 🍽️Aiô 📍 Onde? R. Áurea, 307 - Vila Mariana, Zona Sul 🇻🇳 Vietnã À frente do restaurante Bánh Mì estão o argentino Adrián Polimeni e o vietnamita-francês Yann Dupierre. Antes de chegar a São Paulo, Adrian viveu no Rio de Janeiro, onde trabalhava com empanadas argentinas João de Mari/g1 Quem passa pela calma rua de casas que preservam a arquitetura do século passado não imagina que, atrás de um portãozinho de ferro na Dr. Seng, se esconde um pedaço do Vietnã no Centro de São Paulo. O Bánh Mì ajuda a contar uma história pouco conhecida da imigração asiática no Brasil. Aberto em 2017 na Bela Vista, o espaço surgiu quase por acaso, mas encontrou na área central o ambiente ideal para se firmar. A escolha do bairro, segundo os sócios, tem relação direta com a diversidade cultural da região, marcada por encontros entre diferentes origens, trajetórias e cozinhas — um retrato da própria capital paulista. À frente do restaurante estão o argentino Adrián Polimeni e o vietnamita-francês Yann Dupierre. Antes de chegar a São Paulo, Adrián viveu no Rio de Janeiro, onde trabalhava com empanadas argentinas. A mudança para a capital paulista veio após perceber que a cidade oferecia uma atmosfera mais internacional e aberta a novas gastronomias. A decisão de apostar na culinária vietnamita também foi estratégica: à época, São Paulo tinha pouquíssimos restaurantes do país asiático. O prato símbolo do restaurante é justamente o bánh mì, sanduíche tradicional vietnamita que dá nome à casa. Lá, ele é consumido como um lanche rápido de rua, vendido em carrinhos, como um cachorro-quente. A receita é considerada um dos maiores exemplos de fusão da culinária do país, resultado do período de colonização francesa. Outro destaque é o phở bò, sopa tradicional feita com caldo de ossos de boi, gengibre, cebola e sete especiarias, como canela, cravo, cardamomo e noz-moscada. O preparo é longo e minucioso: o caldo pode ferver por até oito horas para extrair aromas e sabores. Servido com macarrão de arroz, carne, ervas frescas e acompanhamentos, o prato sintetiza a essência da culinária vietnamita — aromática, leve e profundamente ligada ao cotidiano. SERVIÇO: 🍽️Bánh Mì 📍 Onde? R. Dr. Seng, 44 - Bela Vista, Centro

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/25/o-mundo-no-prato-visitamos-10-restaurantes-internacionais-que-transformam-a-cidade-de-sp-em-um-mapa-de-sabores-e-historias.ghtml


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