Pai denuncia racismo e agressões contra filha em escola de Sorocaba: 'Jogaram leite quente na cara dela'
04/04/2026
(Foto: Reprodução) E.E. 'Joaquim Izidoro Marins', em Sorocaba (SP)
Reprodução/Google Street View
Uma aluna de uma escola estadual em Sorocaba (SP) procurou a polícia depois de ter leite quente jogado no rosto por dois colegas na escola estadual Joaquim Izidoro Marins. Segundo a família da estudante, a agressão foi a mais recente de uma série de episódios de violência, que incluem socos e ofensas racistas, como ser chamada de "macaca".
O pai da menina denuncia a persistência do bullying e a falta de medidas eficazes da escola. A Secretaria da Educação (Seduc) afirma que afastou um dos agressores e acionou o Conselho Tutelar.
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O primeiro documento foi elaborado pelas autoridades em outubro de 2025. No entanto, a família alega que as agressões persistem. O pai da menina, que não será identificado para preservar a identidade da adolescente, contou ao g1 que chegou a ser convidado pelo diretor da unidade para assistir à uma gravação da aluna sendo socada no rosto por outros dois alunos, que são irmãos.
"As agressões verbais aconteciam frequentemente e começamos a perceber que era uma perseguição com ela. Registrei o primeiro boletim quando a primeira agressão física aconteceu. Fui chamado pelo diretor para assistir ao vídeo, mas ele disse que eu não poderia gravar com o meu celular e que só seria fornecido à polícia, mediante uma investigação. É uma burocracia", diz.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O homem alega que a família e a diretoria da unidade de ensino tentaram contato com os responsáveis dos alunos mais de uma vez, porém, nenhuma medida foi eficaz. Os responsáveis alegam que o problema, na verdade, está na instituição.
"A gente tentou falar com a família, mas percebemos que eles não estão nem aí. Eles sempre falavam que a culpa é da escola, que 'encheram o saco' dos filhos deles. Depois, alegaram que as crianças tinham problemas psicológicos e pediram um laudo, mas ele nunca foi apresentado", relata.
Desde então, a vítima tem apresentado dificuldades de socialização e queda no rendimento escolar. O diretor da unidade chegou a separar os envolvidos de turma, mas as agressões continuaram a ponto de os irmãos jogarem leite quente na cara da menina durante o intervalo das aulas.
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"Ela não quer saber de mais nada, não quer fazer atividades físicas. Até tem feito algumas amizades, mas com os dois pés atrás. Ela veio me contar que havia sido xingada por eles, os olhos começaram a lacrimejar e ela disse 'que foi sem perceber'. Isso me preocupou, pois demonstra um abalo mais profundo", conta.
"O diretor trocou de sala [os alunos], mas não adiantou muita coisa, já que eles acabavam se encontrando no intervalo. A situação piorou no dia que jogaram um copo de leite quente na cara dela. Não teve nenhuma queimadura séria, apenas o avermelhado que não durou muito tempo, felizmente. Antes, a minha filha tinha coragem de contar. Hoje, ela não tem mais", complementa.
De acordo com o pai, o diretor da unidade chegou a comentar sobre o assunto por um aplicativo de mensagem. Na conversa, o profissional afirma que apenas um dos alunos foi suspenso após a situação. Veja na imagem abaixo:
Diretor afirma que apenas um dos alunos foi suspenso
Reprodução/WhatsApp
Agora, o pai afirma que procurará o máximo de ajuda possível para restabelecer a saúde mental da menina. Na visão dele, a situação pode ser descrita como assustadora, já que a aluna aparenta ter mudado de comportamento de forma brusca.
"Eles falavam que a minha filha tinha sido encontrada no lixo. Nós, como pais, não temos muitas ferramentas e eu já percebi que isso gerou um bloqueio muito grande. Felizmente, eu tenho amigos que me indicaram um advogado especializado na questão do racismo. Uma das professoras disse que ela tem bastante potencial, mas que algo bloqueia ela. Me sinto um tanto impotente em ajudar", lamenta.
O que diz a Secretaria de Educação
Em nota, a Secretaria da Educação (Seduc) confirmou o ocorrido e afirmou que "repudia veementemente toda forma de racismo e preconceito". A pasta informou que convocou os responsáveis pelos alunos agressores para ciência das "medidas disciplinares cabíveis" e que o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar.
Seduc disse ainda que uma equipe do programa de convivência escolar está auxiliando a unidade a "intensificar projetos de combate ao racismo" e que a escola está à disposição da família para esclarecimentos.
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