Pó da borboleta causa cegueira? Ciência revela segredo das escamas que 'bebem a luz'

  • 14/03/2026
(Foto: Reprodução)
Borboleta-Coruja (Caligo eurilochus) vincentvosriberalta / iNaturalist Durante décadas, muitas crianças ouviram o mesmo alerta ao tentar pegar uma borboleta: cuidado com o “pó” das asas — ele poderia cair nos olhos e causar cegueira. A história atravessou gerações como um aviso quase folclórico, mas a ciência mostra que essa ideia é um mito. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O que parece um pó fino liberado pelas asas desses insetos são, na verdade, escamas microscópicas que revestem toda a superfície das asas. Essas estruturas são fundamentais para a cor, a proteção e até para o voo das borboletas. Segundo estudos de biologia e biofísica, essas escamas não têm qualquer substância capaz de causar cegueira, mas escondem alguns "truques". Veja mais notícias do Terra da Gente: PEIXE-REMO: A ciência por trás da lenda do animal que 'prevê' tragédias ALERTA: Mais de 1,2 mil espécies da fauna brasileira estão ameaçadas de extinção, aponta ICMBio FLAGRANTE: Beija-flor 'diferente' é encontrado em MG e intriga observador: 'quase não acreditei' 🔬 O que é o “pó” das borboletas Espécie Pompeius pompeius pierrebonmariage / iNaturalist As asas das borboletas são cobertas por milhares de escamas sobrepostas, organizadas como telhas em um telhado. Essas estruturas são formadas principalmente por quitina, um material biológico que também compõe o exoesqueleto dos insetos. Pesquisas mostram que as escamas são estruturas extremamente complexas, com microestruturas capazes de manipular a luz. Um estudo sobre nanoestruturas explica: “As asas coloridas das borboletas resultam da interação da luz com complexas nanoestruturas de quitina presentes nas escamas", detalha. Veja o que é destaque no g1 hoje: Veja os vídeos que estão em alta no g1 👁️ Pode causar cegueira? Não há qualquer evidência científica de que as escamas das asas de borboletas possam causar cegueira. O máximo que pode ocorrer é uma irritação temporária, semelhante ao que acontece quando poeira ou areia entram no olho. Isso ocorre porque as escamas são microscópicas e funcionam como partículas sólidas. A irritação geralmente desaparece após lavagem com água ou com as próprias lágrimas. 🌈 O segredo das cores: física, não química Borboleta-Vice-Rei (Limenitis archippus) ohio_teresa / INaturalist Outro aspecto surpreendente revelado pela ciência é que muitas cores das borboletas não vêm de pigmentos (tinta), mas da física. Grande parte das tonalidades surge da estrutura microscópica das escamas, que funciona como um sistema óptico natural. Essas nanoestruturas refletem e dispersam a luz em comprimentos de onda específicos, criando cores intensas, metálicas ou iridescentes. Um estudo que analisou essas estruturas tridimensionais explica: “Determinamos quantitativamente a densidade de massa tridimensional de escamas com diferenças de pigmentação.” ⚫ Asas que "bebem" a luz Algumas espécies possuem asas tão escuras que absorvem quase toda a luz visível. Um estudo sobre a espécie Troides magellanus mostrou que as nanoestruturas permitem absorver até 98% da luz. “As asas negras exibem forte absorção (98%) de luz visível devido a nanoestruturas complexas.” Essa descoberta tem inspirado a nanotecnologia e a engenharia no desenvolvimento de superfícies "ultranegras". 🦋 Estruturas para a sobrevivência; você não deve tocar Borboleta-luto ou Antiopa (Nymphalis antiopa) cosmin_manci / iNaturalist As escamas não servem apenas para a beleza. Elas ajudam a: Regular a temperatura: essencial para insetos que precisam do calor do sol para voar Repelir água: mantendo a asa leve mesmo sob chuva. Comunicação: sinais visuais para parceiros ou predadores. O estudante de biologia Matheus Eduardo Schwantes que trabalha com a divulgação científica de mariposas e borboletas explicou em reportagem do Terra da Gente que uma vez que as escamas caem, não se reconstituem mais. “É por isso que não devemos tocar nas borboletas, porque elas são muito frágeis. De qualquer modo, as essas estruturas também acabam caindo naturalmente com o passar da vida delas e as cores vão ficando mais opacas”. As escamas de algumas espécies de mariposa conseguem absorver os sons do sonar de morcegos, ajudando a mariposa a se camuflar durante o voo. Mariposas do gênero Hylesia pdoem causar dermatites. A foto é de uma Hylesia nanus. kyukich / iNaturalist Existem relatos das escamas de apenas uma espécie de mariposa do gênero hylesia sp que pode causar infecções da pele com vermelhidão. Já as outras cerca de 20 mil espécies de borboletas existentes no planeta são completamente inofensivas na fase adulta. Especialistas explicam que muitos mitos populares sobre animais surgem a partir de observações verdadeiras. No caso das borboletas, o desprendimento das escamas realmente ocorre ao toque — o que pode dar a impressão de que as asas liberam um pó misterioso. Mas a ciência mostra que esse material é apenas parte de um dos sistemas biológicos mais sofisticados da natureza. As escamas das borboletas são verdadeiras nanoestruturas naturais, capazes de manipular luz, regular temperatura e ajudar na sobrevivência desses insetos. E apesar da fama que ganharam ao longo das gerações, elas não representam risco de cegueira. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/03/14/po-da-borboleta-causa-cegueira-ciencia-revela-segredo-das-escamas-que-bebem-a-luz.ghtml


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