Por que recuperações judiciais dispararam no agro? Entenda o que está por trás da crise

  • 27/04/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda por que casos de recuperação judicial aumentaram no agro O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de pressão financeira que começa a aparecer nos números. Dados da Serasa Experian mostram que o setor registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior volume da série histórica iniciada em 2021. O número representa um aumento de 56,4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.272 pedidos. Em 2023, haviam sido 534 solicitações, o que evidencia uma escalada acelerada nos últimos anos. Além disso, a inadimplência também cresceu. No terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava inadimplente, segundo o levantamento. O avanço foi de 0,9 ponto percentual na comparação anual. Siga o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp “O agro está passando por um momento delicado com o endividamento do produtor rural, não apenas do produtor, mas também das empresas que atuam no agronegócio. É sempre uma sequência em cadeia, o produtor rural está endividado, a indústria e a fábrica que comercializa insumos acabam sofrendo esse impacto também”, explica Vinícius Cambaúva, professor da Harven Agribusiness School. Efeito dominó no campo O aumento do endividamento não é causado por um único fator, mas por uma combinação de variáveis que pressionam o produtor. Segundo o especialista em agronegócio, um dos principais motivos está no comportamento cíclico dos preços das commodities agrícolas. “Em culturas anuais quando o preço está alto, o produtor aumenta rapidamente a área plantada. Isso gera uma oferta maior no mercado e, como consequência, os preços caem. Esse movimento acaba pressionando a rentabilidade e pode levar ao endividamento”, explica Cambaúva Esse ciclo é comum em culturas como soja e milho, que permitem ajustes rápidos de produção. O problema é que, quando os preços caem, muitos produtores já estão com custos elevados e financiamentos em andamento. “A consequência a médio prazo é que alguns deles, por conta dos altos custos, diminuem a sua área plantada ou migram de atividade, saem, por exemplo, de grãos e vão para outra cadeia produtiva. Quando esse efeito acontece, ou seja, o preço mais baixo leva ao desestímulo da produção, naturalmente, no médio prazo, isso gera de novo uma falta de produto, e aí novamente o preço sobe, isso se chama ciclo de preços das commodities”, esclarece o especialista. Plantação de milho Inpasa Brasil LEIA TAMBÉM Governo busca volume recorde no novo Plano Safra e taxa de juros anual abaixo dos 10%, diz ministro Alckmin anuncia programa para diminuir juros em financiamentos de máquinas agrícolas Gestão de risco: custa caro se proteger das mudanças climáticas no campo? Trator de luxo tem banco ajustado ao peso, piloto automático e refrigerador: g1 testou Crédito mais caro pressiona produtores O aumento do custo do crédito é um dos principais fatores por trás do avanço do endividamento no agronegócio. Com a taxa básica de juros acima de 14% ao ano, financiar a produção ficou mais caro o que limita novos investimentos e pressiona o caixa do produtor. Nesse cenário, a inadimplência rural tem se concentrado principalmente em dívidas com instituições financeiras. Segundo a Serasa Experian, a taxa chega a 7,3% nesse tipo de crédito, enquanto débitos dentro da própria cadeia do agro têm índices quase nulos. O impacto aparece também no aumento dos pedidos de recuperação judicial. Em 2025, produtores rurais pessoa física lideraram as solicitações, com 853 registros — alta de 50,7% em relação ao ano anterior. Já os produtores pessoa jurídica somaram 753 pedidos, com crescimento ainda mais expressivo, de 84,1%. Impacto na cadeia e nas máquinas agrícolas O endividamento no campo não afeta apenas o produtor e se espalha por toda a cadeia do agronegócio. Esse movimento já aparece nos números da indústria. O setor de máquinas e equipamentos agrícolas faturou cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e fevereiro, uma queda de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com menos acesso a crédito e maior cautela, o produtor tende a priorizar o custeio da produção, como compra de insumos e adiar investimentos em tecnologia e maquinário. Para Cambaúva, o cenário atual reflete mais um ajuste dentro do próprio funcionamento do setor. “O agro tem uma dinâmica própria, muito ligada ao ciclo de preços. Momentos de pressão como esse acontecem, mas fazem parte do ajuste do mercado ao longo do tempo”, afirma. Na prática, o produtor segue no campo, mas com mais cautela, menos investimento e maior preocupação com o caixa. Lavoura de milho na zona Rural de Boa Vista (RR). Luiz de Matos/Rede Amazônica Leia mais notícias da Agrishow 2026

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/agrishow/noticia/2026/04/27/por-que-recuperacoes-judiciais-dispararam-no-agro-entenda-o-que-esta-por-tras-da-crise.ghtml


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