Quem é o empresário suspeito de usar transportadora para lavar dinheiro do PCC e repassar valores a contas de Deolane Bezerra
22/05/2026
(Foto: Reprodução) Empresário de Franca é procurado pela polícia por envolvimento com PCC
O empresário Ciro Cesar Lemos, de Franca (SP), é apontado como responsável por repassar valores de uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP) para contas bancárias indicadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Investigações apontaram que ao menos duas dessas contam pertencem à influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra.
Deolane foi presa na quinta-feira (21) em uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
A investigação, chamada de Operação Vérnix, começou há sete anos e também mira Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, além de parentes dele e operadores financeiros do grupo.
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Considerado operador financeiro central do esquema, Ciro Lemos tem várias passagens criminais relacionadas ao tráfico, tendo trazido drogas do Paraguai para o Brasil. Ele já foi alvo de uma condenação, mas está foragido, assim como a esposa, Elidiane Saldanha Lopes Lemos.
O inquérito apontou que Ciro atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e do irmão, Alejandro Camacho, e administrava patrimônio em nome deles, o que o coloca como homem de confiança da liderança da facção.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Ciro e da esposa até a última atualização desta reportagem.
Ciro Cesar Lemos, suspeito de usar transportadora para lavar dinheiro do PCC e repassar valores a contas de Deolane Bezerra
Reprodução/EPTV
Nesta reportagem, você verá os seguintes detalhes do esquema:
Como a transportadora se relaciona com o PCC
Quem são os donos da transportadora
Como dinheiro da transportadora era repassado a Deolane
Transportadora ligada ao PCC
As investigações começaram em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas contra servidores públicos.
Os documentos apreendidos levaram à abertura de três inquéritos que permitiram mapear a estrutura financeira da organização criminosa.
Os investigadores afirmam que, a partir da análise dos manuscritos, chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário da cidade, que seria usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção.
A empresa é a Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Após a quebra dos sigilos bancário e fiscal, foi constatado que ela movimentou mais de R$ 20 milhões no período analisado, com incompatibilidade entre as receitas declaradas ao Fisco e os débitos identificados. Segundo a investigação, a diferença de R$ 6,9 milhões indicaria a prática de lavagem de dinheiro.
Transportadora ligada ao PCC movimentou R$ 20 milhões em Presidente Venceslau, segundo investigação
Arquivo/Polícia Civil
Os donos da transportadora
Os proprietários da transportadora são Ciro Cesar Lemos e a esposa, Elidiane Saldanha Lopes Lemos. O casal foi indiciado, denunciado e condenado. A sentença reconheceu que a transportadora "foi o instrumento utilizado para lavagem de capitais, valores estes obtidos pelo crime organizado".
O avanço das investigações apontou ainda que a empresa não seria apenas contratada pela facção, mas uma pessoa jurídica criada pelo próprio PCC e dirigida indiretamente pelos líderes da organização criminosa. Conforme a investigação, todos os indiciados mantinham vínculos com a transportadora, seja como gestores, intermediários ou beneficiários dos repasses financeiros.
Marcola, por exemplo, determinava providências, definia estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora por meio de intermediários. Já o irmão, Alejandro, seria responsável por dirigir a empresa em sociedade com Marcola. Ainda segundo a investigação, os caminhões da transportadora eram adquiridos por determinação de ambos.
Deolane diz estar 'trabalhando' ao ser perguntada sobre lavagem de dinheiro para o PCC
Como dinheiro era repassado a Deolane
A análise de um aparelho celular apreendido na residência do casal Ciro e Elidiane, mantido oculto em observância aos protocolos da facção, revelou conversas no aplicativo Telegram que detalhavam o funcionamento do esquema.
Everton de Souza, conhecido como "Player", atuava como gestor indireto da transportadora, orientando Ciro sobre quais contas deveriam receber os valores destinados a Alejandro e Marcola. A identificação dele levou os policiais até Deolane Bezerra.
A investigação aponta que Deolane figurava entre os beneficiários diretos dos repasses provenientes da transportadora, com depósitos realizados em conta bancária própria, conforme comprovantes encontrados no celular apreendido.
Operação mirou transportadora, família de Marcola e influenciadora Deolane Bezerra
Reprodução
Os afastamentos de sigilo bancário demonstraram, segundo a Polícia Civil, que Deolane movimentava milhões de reais relacionados à facção, utilizando sua estrutura financeira e a aparente respeitabilidade social para inserir os valores ilícitos no sistema financeiro formal.
As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane e Everton foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro.
A defesa de Deolane ressaltou a inocência dela e afirmou que "os fatos serão devidamente esclarecidos por esta".
Print de conversa que cita Deolane Bezerra como participante de esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Reprodução
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