Setor de bares e restaurantes volta a crescer após crise do metanol e projeta dezembro aquecido em SP
29/11/2025
(Foto: Reprodução) Bar Amarelinhos, no Itaim Bibi, relata queda no número de clientes
Bervelin Albuquerque/g1
Uma pesquisa divulgada nesta semana pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostrou que o setor de bares e restaurantes voltou a crescer em novembro após a crise provocada pelas intoxicações com metanol.
De acordo com o levantamento, a combinação do fim do medo imediato do consumidor e o início da temporada de confraternizações recolocou clientes em mesas e balcões.
O efeito é sentido sobretudo na capital e Grande São Paulo, onde bares e restaurantes vinham relatando queda brusca de movimento desde outubro, em meio às fiscalizações e ao impacto na confiança do público. Agora, com reservas retomadas e festas de fim de ano lotando agendas, o setor fala em um “voltar ao ritmo normal”.
Segundo o levantamento, 41% dos estabelecimentos registraram aumento no faturamento entre 10 e 19 de novembro. É um salto de 11 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, quando o pessimismo pós-metanol ainda dominava o setor.
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Grande parte dos empresários projeta encerrar o mês com alta de 20% a 40% em comparação com outubro, segundo a pesquisa.
De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros casos suspeitos de intoxicação por metanol foram identificados no fim de agosto, quando hospitais da capital paulista começaram a receber pacientes com sintomas graves de intoxicação.
A partir daí, a situação escalou e as autoridades a emitiram alertas e abriram investigações. Hoje, o estado de São Paulo tem dez mortes confirmadas por intoxicação de bebida alcoólica "batizada" com metanol.
Faturamento, preços e dívidas
O estudo revela que 26% dos negócios ficaram estáveis e 33% tiveram queda — índices semelhantes aos do mês anterior, mas agora acompanhados por um grupo maior conseguindo crescer.
Os números também mostram uma desaceleração nos reajustes: 49% dos estabelecimentos ajustaram seus preços conforme ou abaixo da inflação acumulada em 12 meses, mais que o dobro dos 23% observados na pesquisa anterior. Outros 16% elevaram valores acima da inflação e 35% não conseguiram reajustar cardápios.
O endividamento também recuou. Apenas 29% das empresas seguem com dívidas em atraso, contra 36% no mês passado. A maior parte dos débitos ainda pendentes envolve impostos federais e estaduais (ambos com 58%), além de empréstimos bancários (39%).
Vagas abertas
Com o aumento de reservas e eventos de fim de ano, o setor mantém um volume de vagas abertas — principalmente temporárias ou em contratos intermitentes. A maioria das casas opera com uma a três posições disponíveis, sobretudo para cozinha, atendimento e apoio.
Do lado do consumidor, o movimento é claro: cresce o número de pessoas que preferem “terceirizar” a ceia ou a confraternização. Restaurantes relatam aumento tanto na procura por jantares completos quanto por opções de take-out e delivery para grupos que desejam celebrar no escritório ou em casa.
Para o presidente da Abrasel-SP, Luiz Hirata, há uma combinação favorável de fatores para manter o ritmo de recuperação.
“O fim do ano traz o impulso que o segmento precisava. Apesar dos desafios de 2025, o consumo fora do lar mostrou resiliência. A variedade de ofertas, do jantar sofisticado à confraternização descontraída, permite que bares e restaurantes aproveitem ao máximo a demanda”, diz.
A entidade avalia que o pagamento do 13º salário e o clima de festas podem fortalecer ainda mais o desempenho em dezembro — especialmente para quem preparar pacotes atrativos, menus variados e atendimento voltado a grupos e pedidos de delivery.