Um em cada quatro alunos da educação infantil municipal de SP estuda a mais de 1,5 km de casa, diz Mapa da Desigualdade
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Foto de arquivo mostra estudantes em aula na Escola Municipal de Ensino Fundamental Garcia D'Ávila, no bairro da Casa Verde, zona norte da capital paulista
Ed Viggiani/Estadão Conteúdo
Um em cada quatro alunos da rede municipal de educação infantil da cidade de São Paulo estuda a mais de 1,5 km de distância de casa, segundo dados da nova edição do Mapa da Desigualdade divulgados nesta quinta-feira (19).
O levantamento traz, pela primeira vez, o indicador chamado Compatibilidade Bairro-Escola, que mede o percentual de crianças matriculadas em creches e pré-escolas próximas da residência, em todos os 96 distritos da capital.
De acordo com os dados, a média da cidade é de 76% — ou seja, cerca de uma em cada quatro crianças precisa se deslocar por mais de 1,5 km para estudar.
Na prática, a distância maior pode dificultar o acesso à escola, especialmente para famílias de baixa renda, além de aumentar o tempo de deslocamento diário das crianças.
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O indicador considera alunos da rede municipal e conveniada de educação infantil e foi calculado com base em dados do ObservaSampa, da Prefeitura de São Paulo.
Melhores e piores índices
Entre os distritos com maior proximidade entre casa e escola, estão:
Sé (94%)
Vila Matilde (90%)
Barra Funda (89%)
Cambuci (89%)
Brás (88%)
Já os piores índices foram registrados em:
Marsilac (24,5%)
Butantã (47,9%)
Alto de Pinheiros (48%)
Saúde (50%)
Vila Leopoldina (51%)
Isso significa que, em regiões como Marsilac, menos de um terço das crianças consegue vaga perto de casa.
Produzido há mais de uma década, o Mapa da Desigualdade analisa a oferta de serviços públicos e a qualidade de vida nos distritos da capital paulista. O objetivo é evidenciar diferenças entre regiões e orientar políticas públicas.
Os dados de educação fazem parte de uma nova etapa da divulgação, que também inclui indicadores de segurança, esportes e infraestrutura digital.
Proporção de alunos da educação infantil da rede municipal e parceira que estudam até 1,5Km da residência.
Reprodução
Ranking da educação
Além da distância entre casa e escola, o levantamento também traz um ranking geral da educação nos distritos, construído a partir de sete indicadores que medem diferentes dimensões do ensino público. Entre eles estão matrícula na rede pública, distorção idade-série, abandono escolar, desempenho no Ideb (anos iniciais e finais), adequação da formação docente e esforço dos professores.
Para chegar à classificação final, cada distrito recebe uma pontuação em cada indicador conforme sua posição em relação aos demais — do melhor ao pior. Essas notas são somadas e divididas, gerando um índice geral de desempenho educacional por território.
No topo do ranking aparecem distritos da Zona Leste, como Carrão, Vila Matilde e Vila Jacuí, seguidos por Jardim Helena e Artur Alvim. Já nas últimas posições estão bairros de regiões mais centrais e da Zona Oeste, como Morumbi, Vila Leopoldina e Santana, além de Rio Pequeno e Vila Andrade.
Os dados detalhados mostram que as desigualdades não se restringem à localização das escolas e se repetem em diferentes aspectos do sistema educacional.
No acesso à creche, por exemplo, há distritos onde a vaga é obtida em apenas um dia — como Cidade Tiradentes, Guaianases e São Mateus — enquanto em Marsilac a espera chega a 21 dias
Alunos de escola municipal de SP
Divulgação/Prefeitura de SP
Já no ensino fundamental, a taxa de abandono escolar varia de 0% em bairros como Moema e Vila Mariana até 1,58% em Santana. A distorção idade-série — quando o aluno está acima da idade recomendada para a série — vai de 2,23 no Carrão a 13,04 na Sé.
O desempenho acadêmico também é desigual. No Ideb dos anos iniciais, a nota média vai de 7,3 na Vila Mariana a 4,8 no Pari. Nos anos finais, varia entre 5,8 em Pinheiros e 4 no Ipiranga.
Professores
Entre os professores, o levantamento aponta diferenças tanto na formação quanto na carga de trabalho.
A proporção de docentes com formação inadequada chega a 39,1% na Sé, enquanto no Bom Retiro o índice é de 2,4%. Já o chamado “esforço docente” — que considera fatores como número de alunos, carga horária e atuação em mais de uma escola — atinge até 29,55% em Santo Amaro, mas é zerado em distritos como Jardim Paulista e Consolação.