Urbia quer transformar Serraria do Parque Ibirapuera em centro comercial com restaurantes, lojas e academia

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Urbia quer transformar Serraria do Parque Ibirapuera em centro comercial Arquivo pessoal A concessionária Urbia, gestora do Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, quer implementar um novo polo comercial na antiga Serraria da Praça Burle Marx. A proposta prevê que o espaço, atualmente utilizado para lazer ao ar livre, passará a ser ocupado por restaurantes, lojas e uma academia. O plano também inclui a construção de uma laje fechada por vidraças na parte de cima do centenário galpão, ampliando a área construída para abrigar as novas atividades comerciais. Antes de sair do papel, o projeto precisa ser aprovado pelos órgãos de proteção do patrimônio, já que o conjunto do Ibirapuera é tombado nas esferas municipal, estadual e federal. Em janeiro, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da prefeitura emitiu um parecer contrário à reforma, apontando possível descaracterização da obra original e prejuízo ao paisagismo da área (leia mais abaixo). A Urbia diz, em nota, que trata-se de um projeto cuidadosamente desenvolvido para valorizar o patrimônio histórico (leia mais abaixo). Movimentação de visitantes na Serraria e Praça Burle Marx, no Parque Ibirapuera Apesar da negativa técnica, a diretora do DPH, Marília Barbour, encaminhou a proposta para análise do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), argumentando que o plano de intervenções da concessão não deve ser visto como "algo imutável, que não possa ser revisto, desde que devidamente justificado". A votação estava prevista para a reunião de segunda-feira (23), mas foi adiada, pois o conselheiro responsável ainda não havia concluído o seu relatório. A Serraria é uma estrutura industrial remanescente da década de 1930 — anterior à criação do parque — e servia originalmente para a conservação de bondes e marcenaria. Em 1992, o espaço foi requalificado pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx, que integrou o galpão a uma praça com espelhos d'água, fontes e vegetação nativa em frente ao Viveiro Manequinho Lopes. Diante da ameaça de descaracterização, paisagistas protocolaram um pedido de tombamento específico para o conjunto. O grupo argumenta que o tombamento genérico do parque é insuficiente para proteger o monumento, um dos raros espaços públicos projetados por Burle Marx em São Paulo, e destaca a diversidade de usos da Serraria pelo público do Ibirapuera. "São acolhidas atividades de leitura, de contemplação, práticas de arte da cultura oriental que focam no equilíbrio corpo-mente, longevidade e harmonia coletiva", diz o documento assinado pelas arquitetas Cássia Mariano, Francine Sakata e Maria Claudia de Oliveira. Projeto de reforma da Serraria prevê construção de laje e fechamento do pavimento superior com vidraças Reprodução/Urbia A proposta da Urbia também enfrenta resistência na Câmara Municipal. A vereadora Renata Falzoni (PSB) enviou um ofício à Secretaria de Cultura solicitando celeridade na análise do tombamento para evitar "situação de insegurança jurídica e possível dano ao patrimônio". O vereador Nabil Bonduki (PT) também se manifestou publicamente, solicitando a retirada do item da pauta do Conpresp por entender que o projeto desrespeita o patrimônio histórico, arquitetônico e paisagístico ali existente. Após apontamentos dos órgãos de defesa do patrimônio no ano passado, a concessionária Urbia fez ajustes no projeto, substituindo o fechamento em alvenaria por painéis de vidro e reduzindo o número de pontos comerciais — para o DPH, o excesso poderia transformar um local de contemplação e práticas espontâneas em uma "praça de alimentação" saturada. Mesmo com as alterações, o departamento considerou que a ocupação proposta — 57% no térreo e 89% no pavimento superior — continua violando as diretrizes de ocupação máxima de 50% e 30%, respectivamente. O parecer avalia que isso compromete a fluidez visual e limita o uso público do espaço. Proposta da Urbia para reforma na Serraria do Ibirapuera prevê pontos comerciais no térreo e em piso superior Reprodução/Urbia O órgão também criticou a falta de um plano de restauro paisagístico fiel ao projeto original, citando uma frase do próprio Burle Marx: "Não nos esqueçamos de que a paisagem também se define por uma exigência estética, que não é nem luxo nem desperdício, mas uma necessidade absoluta para a vida humana e sem a qual a própria civilização perderia sua razão de ser", diz trecho do parecer. Concessão O Parque Ibirapuera foi concedido à iniciativa privada em 2020, durante a gestão do ex-prefeito Bruno Covas (PSDB). O contrato deu à Urbia o direito de explorar comercialmente a área pública durante 35 anos. A concessionária pertencente à empresa Construcap tem a locação de espaços para alimentação entre suas principais fontes de receita. Nos últimos anos, os quiosques, lanchonetes e restaurantes se multiplicaram pelo parque. Outros parques da capital passaram por processos similares após concessão, como o Villa-Lobos e o Água Branca, na Zona Oeste. Ambos tiveram crescimento nas ações comerciais patrocinadas por grandes marcas e eventos. O que diz a Urbia "A Urbia tem orgulho de apresentar o projeto de requalificação da antiga Serraria, dando continuidade ao projeto do restauro da Praça Burle Marx, no Parque Ibirapuera. Trata-se de uma proposta cuidadosamente desenvolvida para valorizar o patrimônio histórico, qualificar o uso público e devolver protagonismo a uma área hoje subutilizada do parque. O uso comercial da Serraria já foi aprovado desde 2022 pelos três órgãos de preservação do patrimônio (IPHAN, CONDEPHAAT e CONPRESP) como atividade compatível com o conjunto tombado. O projeto atual respeita integralmente essas diretrizes e preserva as funções arquitetônicas e paisagísticas do espaço. Ao longo de mais de três anos de estudos técnicos e diálogo institucional, a proposta atual já foi aprovada pelo IPHAN e CONDEPHAAT e aguarda a aprovação do CONPRESP, com manifestação favorável da Diretoria Técnica e Coordenação Geral do DPH no âmbito municipal. Há uma única manifestação técnica divergente em análise, dentro do rito regular de deliberação do CONPRESP, o que faz parte do processo institucional de avaliação. Na fase executiva, o projeto foi aprimorado para melhorar ainda mais a funcionalidade do equipamento, ampliando a qualidade dos serviços de apoio ao visitante e mantendo a fruição através de espaços livres. A intervenção foi concebida com rigor técnico, respeito absoluto ao patrimônio e compromisso com a excelência arquitetônica. A Urbia acredita que o projeto qualifica o parque, amplia a experiência do público e reforça o Ibirapuera como referência internacional em preservação e inovação em gestão de espaços públicos." Marquise do Parque Ibirapuera é reaberta depois de revitalização

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/24/urbia-quer-transformar-serraria-parque-ibirapuera-centro-comercial-restaurantes-lojas-academia.ghtml


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