VÍDEO: biólogo registra soltura de raposa e tamanduá após meses de reabilitação no interior de SP
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Biólogo registra soltura de raposa e tamanduá após meses de reabilitação no interior de SP
🦊 O biólogo Rafael Mana registrou a soltura de uma raposa-do-campo e de um tamanduá-bandeira após os animais serem resgatados e passarem por meses de tratamento no Núcleo da Floresta (Cras), em São Roque (SP).
Segundo o profissional, a raposa passou por quatro meses de reabilitação e foi devolvida ao habitat natural, em Itu (SP), no dia 22 de dezembro. Já o tamanduá, carinhosamente apelidado de Tadeu, ficou em tratamento por três meses e foi solto quatro dias depois, em Salto de Pirapora (SP).
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Ao g1, o biólogo conta que o tamanduá foi resgatado pela Defesa Civil após ter sido atacado com uma foice. Ele sofreu um ferimento grave na cabeça, que atingiu a calota craniana — área óssea responsável por proteger o cérebro.
“Ele também teve lesões nas patas dianteiras e traseira, provavelmente ao tentar se defender da foice. Uma das patinhas foi quase cortada ao meio. A situação foi bastante séria”, relata.
Biólogo filma momento em que raposa-do-mato e tamanduá-bandeira são devolvidos à natureza no interior de SP
Núcleo da Floresta
Para acelerar a recuperação do animal, a equipe veterinária utilizou biocurativos feitos a partir da pele de tilápia, explica Rafael.
“Foi realizado todo um trabalho de reabilitação para que ele conseguisse retomar as atividades naturais da espécie. É um animal ameaçado de extinção, então o manejo exige muita atenção e cuidado”, diz.
Já a raposa, uma fêmea, foi resgatada após ser atropelada e ficar gravemente ferida. Rafael também destaca que a espécie está ameaçada de extinção.
“É extremamente importante devolver uma fêmea dessas à natureza por conta da capacidade reprodutiva. Ela também teve fratura em um dos dentes, o que exigiu tratamento odontológico”, afirma.
Tamanduá-bandeira passa por três meses de habilitação após ser atingido por foice em Salto de Pirapora (SP)
Núcleo da Floresta
Sobre as espécies
Raposa-do-mato
Rafael explica que a raposa-do-campo costuma ser frequentemente confundida com o cachorro-do-mato devido às semelhanças entre as espécies. O animal prefere campos abertos e vive em áreas de cerrado, apresentando alta capacidade de sobrevivência nesse tipo de habitat, segundo o biólogo.
“É um animal que sofre com queimadas, com o desmatamento e com conflitos em áreas de criação de animais domésticos. No entanto, um dos maiores problemas para a espécie é o contato com animais domésticos dentro de áreas preservadas”, diz.
Raposa-do-mato é solta após meses de reabilitação no Núcleo da Floresta (Cras) em São Roque (SP)
Rafael Mana/Reprodução
De acordo com o profissional, esse contato faz com que as raposas contraiam doenças como cinomose, parvovirose e sarna. Ele explica que as enfermidades provocam um declínio populacional significativo, já que a espécie não possui anticorpos para combatê-las.
“Além disso, a raposa-do-campo também pode hibridizar naturalmente com o cachorro-do-mato. Encontramos animais híbridos na nossa região, o que representa mais um problema sério para a conservação da espécie. Por isso, ela é considerada ameaçada de extinção”, finaliza.
Tamanduá-bandeira
O tamanduá-bandeira é um animal de grande porte, podendo pesar cerca de 40 quilos. Apesar do tamanho, o biólogo ressalta que a espécie é pacífica e tem hábito crepuscular, justamente para evitar o contato com seres humanos.
“O tamanduá se alimenta basicamente de cupins e formigas. Mas, assim como acontece com a raposa, o contato com cães de propriedades rurais acaba gerando muitos conflitos, porque ele é um animal lento, não enxerga bem e também não ouve muito bem. Por isso, acaba se tornando uma presa fácil para pessoas e cães domésticos”, explica.
Apesar disso, o biólogo ressalta que o animal tem grande força muscular e pode causar acidentes graves ao se defender, devido às unhas longas.
Tamanduá-bandeira é devolvido à natureza por biólogo do Núcleo da Floresta (Cras)
Rafael Mana/Reprodução
“O tamanduá ajuda no controle de cupins e formigas e é extremamente importante para as áreas de cerrado, principalmente por contribuir com a movimentação do solo. É uma espécie ameaçada de extinção, especialmente por causa das queimadas, já que ele não consegue fugir do fogo e sua pelagem pega fogo com muita facilidade”, diz.
Segundo o biólogo, a espécie gera no máximo dois filhotes por vez. Por isso, cada animal perdido na natureza representa um impacto significativo para a população.
“As pessoas ainda têm o hábito de atirar em tamanduás, o que é absurdo. Os atropelamentos também vitimam muitos animais na nossa região. Recebemos frequentemente tamanduás atropelados encaminhados por concessionárias de rodovias, e esses acidentes costumam causar ferimentos muito graves. Na maioria das vezes, eles não sobrevivem”, finaliza.
Rafael Mana, biólogo do Cras Núcleo da Floresta, que participa do resgate de animais silvestres e selvagens no interior de SP
Rodrigo Santos/TV TEM
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